A Indústria Cultural, escrito por Adorno e Horkheimer, engloba aspectos
como o poder da Indústria, a regência da sociedade por parte do comércio e a
exploração de bens. Dito isto, é de salientar que o homem deixou de ser visto
como um ser humano, mas sim como um meio de rendimento ou melhor, um objeto.
Assim sendo, o objetivo de todo este sistema é dominar a sociedade através de
negócios, manipulando discretamente o consumidor, oferecendo-lhe uma variedade
de produtos que satisfaçam todas as suas necessidades.
Por exemplo, os
cereais que muitos consomem ao pequeno almoço, apresentam uma vasta variação de
sabores, de marca, de ingredientes (glúten, sem glúten, fibra, integrais,
etc.). Toda esta variedade deriva da necessidade de lucro por parte do mercado,
ou seja, o facto de existirem inúmeras opções de compra abrange vários tipos de
consumidores, única e exclusivamente por um motivo: obtenção de lucro e, à
medida que vamos avançando para um capitalismo mais avançado, existe cada vez
mais essa mesma ideologia.
O facto de
existir toda uma infinidade de produtos para todos os gostos, faz com que cada consumidor tenha as suas
preferências entre uns e outros, fazendo-o perder a sua autonomia e a sua
capacidade tomar decisões conscientemente. Isto ocorre quando, por exemplo, um
indivíduo vai ao mercado comprar leite e, ao confrontar-se com vários tipos de
leite (magro, meio gordo, gordo, soja, de morango, de chocolate etc.), não
sente a necessidade de pensar nem de julgar o produto, simplesmente escolhe.
Depois de tomada
a consciência destas afirmações, as questões mais lógicas tratam-se do porquê
dessa necessidade de comprar e o porquê do homem deixar-se envolver neste
sistema. Entre muitas outras respostas possíveis, a publicidade é o meio que
mais persuade toda a sociedade. É através da publicidade que os consumidores
tomam conhecimento do lançamento de novos produtos e, mesmo o modo como a
publicidade é lançada interfere com a capacidade lógica do indivíduo. Ao
contrário do que seria de esperar, muitas vezes não é no produto que está a
qualidade, mas sim na propaganda do mesmo, daí falar-se na “publicidade
enganosa”. Exemplificando com os detergentes de lavar a roupa, que são
descritos nos anúncios como cem por cento eficazes, capazes de retirar todas as
manchas,na realidade, não se comprova. Porém, devido à sua publicidade, o consumidor
deixa-se levar inconscientemente, sendo este o único objetivo de indústria
cultural.