“- Bom dia!”,
“-Desculpe!”, “- Deseja alguma coisa?”, “- Até amanhã!”, “- Boa noite”.
Todos nós, desde o início ao final do dia, 24horas, 365 dias
do ano, até mesmo no nosso último folgo, somos confrontados com a linguagem
verbal. Esta está tão presente na nossa vida quotidiana que acabamos por não
nos apercebermos da sua presença, acabando por banalizar algo que, de certa
forma, está agregado a nós desde que somos gerados.
Desta forma, a linguagem é a mais importante “tecnologia” já
existente na sociedade, sendo algo que contribuí a cada instante no processo
social. A linguagem existe desde o primórdio da
humanidade, que já a utilizava de diversas formas, como a pintura e gestos.
Algo tão simples, mas tão complexo como a linguagem é algo que inquietou e
ainda inquieta cientistas, filósofos… levando-os a estudar esta “arte” da
comunicação.
Uma dessas pessoas foi Ferdinand de Saussure, um linguista e
filósofo suíço cuja elaboração teórica acerca da
linguagem, proporcionou o desenvolvimento da linguística enquanto
ciência autónoma.
Saussure definiu novos critérios e conceções à linguagem,
simplificando e desmistificando esta temática, dando a conhecer a simplicidade
englobada na sua complexidade. Considera assim que a linguagem é social e
individual, sendo uma fusão de língua e fala, onde a língua corresponde à parte
essencial da linguagem e o individuo sozinho, não a pode criar nem modificar.
Ao lermos os seus textos, podemos refletir sobre a
complexidade de algo que nos pertence, que nos cria individualidade e
culturalmente.
Deste modo, focar-nos-emos no
conceito de Saussure onde este apresenta a língua na sua redução essencial,
isto é, o estudo segundo uma sistematização simplificada. Saussure reduz a língua a elementos mais simples, os signos. Onde cada signo corresponde a uma palavra. Assim, os signos
desdobram-se em duas realidades opostas: o significado e o significante, que se
complementam mutuamente.
O significado é tudo o que pensamos e vimos quando vemos\ouvimos a palavra,
sendo algo apreendido de geração em geração, derivando também culturalmente de
cada individuo (tem um valor arbitrário). Enquanto que o significante se trata
da expressão material do significado, como por exemplo o som que nos chega aos
ouvidos da palavra em si. Isto é, se um indivíduo ouvir a palavra árvore
(palavra árvore = significante), automaticamente este pensará num esquema de
árvore (esquema de qualquer árvore = significado). Assim, o significante, terá
um valor linear, uma vez que um discurso tem de ter uma terminada coerência
onde as palavras têm uma sequência lógica entre elas. Com isto, existe uma obrigação
na linearidade do significante para a compreensão da linguagem verbal.
Apesar dos vários estudos realizados por Saussure, podemos constatar
através do pouco que foi apresentado anteriormente, que a linguagem é muito mais
do que aquilo que aparenta, uma vez que esta é realizada através de vários
processos que não só englobam a linguística, como também a psicologia, neuropsicologia, metrocidade humana... A sua complexidade é nos apresentada de uma forma tão
simplificada que o ser humano acaba por não ter noção da realidade desta na sua
vida quotidiana…
Será que o ser humano arranjaria maneira de substituir esta principal forma de
comunicação?