Mostrar mensagens com a etiqueta 7512. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 7512. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

# Consumo Conspícuo

Consumo conspícuo (Thorstein Veblen, 1899), é o termo usado para descrever os gastos em mercadorias e serviços de luxo adquiridos com o propósito de mostrar riqueza. 
A sociedade em geral opta pelos produtos luxuosos ao invés dos produtos de marca branca que são consideravelmente mais baratos. A publicidade desempenha aqui um papel crucial, levando o público a crer em diferenças inexistentes entre os produtos. Estas quando colocadas em confronto por ditos conhecedores da matéria, discutindo as suas vantagens e desvantagens, serve apenas para perpetuarem a ilusão da concorrência e da possibilidade de escolha. Como fala Adorno e Horkheimer em relação á serie Chrysler e a serie General Motors em 'A Industria Cultural'
Porque é que existe esta preferência por produtos luxuosos, despendendo mais dinheiro conscientemente/inconscientemente quando este não se justifica?
Segundo Marx, a mercadoria não é somente uma forma material destinada a exercer a sua função e satisfazer as necessidades do ser humano. 
"É uma coisa muito retorcida, cheia de subtileza, metafisica e de extravagâncias teológicas." "O misterioso da forma-mercadoria consiste simplesmente no facto de ela reflectir para os homens os caracteres socias do seu próprio trabalho como caracteres objectivos dos próprios produtos de trabalho, como qualidades naturais sociais dessas coisas, e por isso também a relação social entre os objectos existentes fora deles." 
Parecem figuras autónomas dotadas de vida própria, em relação entre si próprias e com os homens.
Sociologicamente, para o consumidor conspícuo, uma exibição pública de ilimitado poder económico é um meio de alcançar ou de manter um determinado status social. O Instagram vem satisfazer as delícias deste tipo de consumidores. Uma rede social que permite ao utilizador uma partilha de fotos dos seus pertences, de uma forma rápida e eficaz. Exibindo-se e evidenciando os seus atributos provocando a inveja alheia.
Recentemente apareceu o conceito donwshifters- tipo de pessoas que consomem menos sem receio de deslizar socialmente. Fenómeno que ainda não representa uma tendência social mas que também não escapa á logica do consumo. Existe competição social entre estes
.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Aura Perdida

A evolução tecnológica alargou os processos técnicos das artes, modificando para sempre a noção de arte. As obras de arte são, cada vez mais, facilmente reprodutíveis.
O aqui e agora de Walter Benjamin é hoje uma característica faltosa nas obras contemporâneas. São eliminados conceitos tradicionais como, por exemplo, a autenticidade. Muitas formas de arte surgiram e desapareceram. Estaria certo Benjamim quando pôs em causa a existência eterna da pintura?
Analisemos um caso prático de pintura contemporânea, que me parece de grande pertinência esta abordagem devido, à sua crescente presença no nosso quotidiano: os murais de "street art". Estes: donos do aqui e agora são peças únicas, modificam-se na sua estrutura física ao longo do tempo, são efémeros e de propriedade pública- alterou-se a relação das massas com a arte e segundo Benjamim a observação simultânea de pinturas, por parte de um grande publico, é um sintoma precoce da crise da pintura. 
Apesar de conservarem alguns valores do passado, estes murais carecem, na sua maioria, da aura que Benjamin fala em "A Obra de Arte na Era da Sua Reprodutibilidade Técnica". Faz parte do procedimento artístico, o recurso ao vídeo projector, como forma de economizar tempo, dinheiro e superar a incapacidade de pintar em grandes escalas, acertando-se digitalmente a proporcionalidade do desenho. Quando estamos perante um mural resultante deste processo, não estamos perante um original autêntico pois esse é de dimensões menores, mas sim perante a sua reprodutibilidade que resulta de um trabalho manual sustentado por um trabalho técnico (vídeo projector), anulando desta forma a autenticidade do original. 
Por vezes o reprodutível é muito mais completo e trabalhado que o original mas o recurso a este meio digital é, no meu entender, o bastante para lhe retirar a sua aura. A mão liberta-se da mais importante obrigação artística no processo de reprodução de imagem. O processo de reprodução estabelece a diferenciação e graduação da autenticidade de uma obra.
O que murcha com a era da reprodutibilidade é a sua aura. Os génios/mestres da pintura e de tantas outras áreas artísticas fazem parte do passado, a sociedade actual impossibilita a sua formação a este ritmo tão acelerado. A rapidez é exigida. O homem está alienado às tecnologias, estas facilitam o seu trabalho mas, neste exemplo prático também conotam negativamente o mesmo.