A evolução tecnológica alargou os processos técnicos das artes, modificando para sempre a noção de arte. As obras de arte são, cada vez mais, facilmente reprodutíveis.
O aqui e agora de Walter Benjamin é hoje uma característica faltosa nas obras contemporâneas. São eliminados conceitos tradicionais como, por exemplo, a autenticidade. Muitas formas de arte surgiram e desapareceram. Estaria certo Benjamim quando pôs em causa a existência eterna da pintura?
Analisemos um caso prático de pintura contemporânea, que me parece de grande pertinência esta abordagem devido, à sua crescente presença no nosso quotidiano: os murais de "street art". Estes: donos do aqui e agora são peças únicas, modificam-se na sua estrutura física ao longo do tempo, são efémeros e de propriedade pública- alterou-se a relação das massas com a arte e segundo Benjamim a observação simultânea de pinturas, por parte de um grande publico, é um sintoma precoce da crise da pintura.
Apesar de conservarem alguns valores do passado, estes murais carecem, na sua maioria, da aura que Benjamin fala em "A Obra de Arte na Era da Sua Reprodutibilidade Técnica". Faz parte do procedimento artístico, o recurso ao vídeo projector, como forma de economizar tempo, dinheiro e superar a incapacidade de pintar em grandes escalas, acertando-se digitalmente a proporcionalidade do desenho. Quando estamos perante um mural resultante deste processo, não estamos perante um original autêntico pois esse é de dimensões menores, mas sim perante a sua reprodutibilidade que resulta de um trabalho manual sustentado por um trabalho técnico (vídeo projector), anulando desta forma a autenticidade do original.
Por vezes o reprodutível é muito mais completo e trabalhado que o original mas o recurso a este meio digital é, no meu entender, o bastante para lhe retirar a sua aura. A mão liberta-se da mais importante obrigação artística no processo de reprodução de imagem. O processo de reprodução estabelece a diferenciação e graduação da autenticidade de uma obra.
O que murcha com a era da reprodutibilidade é a sua aura. Os génios/mestres da pintura e de tantas outras áreas artísticas fazem parte do passado, a sociedade actual impossibilita a sua formação a este ritmo tão acelerado. A rapidez é exigida. O homem está alienado às tecnologias, estas facilitam o seu trabalho mas, neste exemplo prático também conotam negativamente o mesmo.