A industria cultural é um macrocosmo para as massas. É uma realidade que
está entranhada na sociedade, mas que permanece incosciente nos cidadãos. O
arrastamento das massas para a cidade segundo Adorno e Horkeimer é um primeiro
passo para o urbanismo. Esta aproximação gera centros habitacionais,
"(...) os moradores são enviados para os centros, como produtores e
consumidores, em busca de trabalho e diversão (...)", ou seja, os centros
preparam-se fisicamente para receber as massas.
A representação destes focos é baseada numa ideia de rotina. À
semelhança deste conceito sobre o comportamento das massas, associa-se a ideia
de Cesário Verde. Sendo um poeta que retrata o quotidiano de modo a observar a
essência, os hábitos e costumes da sociedade, o seu trabalho poético centra-se
na dicotomia da cidade e do campo, como podemos observar no poema Sentimento
dum Ocidental. Neste poema o autor faz uma caracterização negativa a partir
do "olhar para a cidade",
modificando o seu estado de espírito.
"O céu parece baixo e de neblina/ O gás
extravasado enjoa-me, perturba/E os edifícios, com as chaminés, e a turba/
Toldam-se duma cor monótona e londrina."
Vazam-se os arsenais e as oficinas/ Reluz
viscoso, o rio, apressam-se as obreiras/ E num carduma negro, hercúleas
galhofeiras/ Correndo com firmeza, assomam as varinas.
Na minha opinião, a obra de Cesário Verde complementa a ideia de Adorno
e Horleimer sobre um monopólio citadino. A razão pela qual as massas são observadas
de um ponto de vista de arrastamento consequente, faz com que estas deixem de
ser idênticas no seu meio, na sua casca de identidade. Não existe qualquer tipo
de independência e individualidade, pelo contrário, estas "(...) células
habitacionais cristalizam-se em complexos densos e bem organizados.". Esta
é a imagem criada pelos "dirigentes que nem estão muito interessados em encobri-lo (o
monopólio)”. O seu poder torna-se mais autónomo quanto mais reconhecido for,
portanto, "fortalece-se quanto mais brutalmente ele se assume como
público".