É uma questão
que sempre me suscitou dúvidas, tendo em conta o contexto, e claro, a sociedade
em que me insiro. Teremos realmente o livre arbítrio e a capacidade de através
de um dispositivo visual, retirar um significado livre de influências? Ao
analisar o ambiente ao meu redor, e todo o caos visual que o status quo que a Era pós-modernista me proporciona,
e restringe, pergunto-me se muitas destas imagens (quer sejam fotografias, anúncios
na televisão ou até filmes) têm de facto algum significado, para além daquele
que, quem os cria, quer que tenha.
Quando ligamos a televisão, e automaticamente,
somos bombardeados com anúncios, programas da tarde, programas da noite e até telejornais;
Até que ponto tudo aquilo não é na verdade controlado e sintetizado de maneira
a que o espectador receba uma informação precária e de certa forma muito pobre
em conteúdo? Porque uma sociedade de massas é muito mais fácil de controlar e
influenciar, se a informação que dispuser for seleccionada.
A sociedade regida pelo capitalismo em que nos
encontramos sugere isso mesmo; Todos estes estímulos visuais à nossa volta têm
um propósito, e deixam de lado o livre arbítrio, porque foram pensados e
criados para englobarem todas as pessoas. O seccionamento e a variedade de
produtos existem apenas para o consumismo que alimenta a máquina capitalista.
Com o final do modernismo e o início do pós-modernismo,
a capacidade do ser humano para captar esses estímulos visuais começou a evidenciar-se
cada vez mais, mas a sua habilidade para os analisar correctamente, ou sequer
disponibilidade para tal, diminuiu. Quanto mais óbvio for o conteúdo visual,
mais atenção vai receber, enquanto que o conteúdo mais complicado e de difícil
interpretação não vai interpelar o ser humano.
Numa
sociedade caracterizada pela fácil acessibilidade de tudo o ser humano torna-se
negligente. Se nos interrogarmos realmente se uma imagem vale mais que mil
palavras (nesta sociedade) a única resposta possível é sim, porque o emprego da
palavra (e consequentemente do pensamento) aplicado à descrição, investigação e
compreensão dos estímulos visuais é insuficiente.