quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Uma imagem (nesta sociedade) vale mais do que mil palavras?


É uma questão que sempre me suscitou dúvidas, tendo em conta o contexto, e claro, a sociedade em que me insiro. Teremos realmente o livre arbítrio e a capacidade de através de um dispositivo visual, retirar um significado livre de influências? Ao analisar o ambiente ao meu redor, e todo o caos visual que o status quo que a Era pós-modernista me proporciona, e restringe, pergunto-me se muitas destas imagens (quer sejam fotografias, anúncios na televisão ou até filmes) têm de facto algum significado, para além daquele que, quem os cria, quer que tenha.

Quando ligamos a televisão, e automaticamente, somos bombardeados com anúncios, programas da tarde, programas da noite e até telejornais; Até que ponto tudo aquilo não é na verdade controlado e sintetizado de maneira a que o espectador receba uma informação precária e de certa forma muito pobre em conteúdo? Porque uma sociedade de massas é muito mais fácil de controlar e influenciar, se a informação que dispuser for seleccionada.
A sociedade regida pelo capitalismo em que nos encontramos sugere isso mesmo; Todos estes estímulos visuais à nossa volta têm um propósito, e deixam de lado o livre arbítrio, porque foram pensados e criados para englobarem todas as pessoas. O seccionamento e a variedade de produtos existem apenas para o consumismo que alimenta a máquina capitalista.
Com o final do modernismo e o início do pós-modernismo, a capacidade do ser humano para captar esses estímulos visuais começou a evidenciar-se cada vez mais, mas a sua habilidade para os analisar correctamente, ou sequer disponibilidade para tal, diminuiu. Quanto mais óbvio for o conteúdo visual, mais atenção vai receber, enquanto que o conteúdo mais complicado e de difícil interpretação não vai interpelar o ser humano.

Numa sociedade caracterizada pela fácil acessibilidade de tudo o ser humano torna-se negligente. Se nos interrogarmos realmente se uma imagem vale mais que mil palavras (nesta sociedade) a única resposta possível é sim, porque o emprego da palavra (e consequentemente do pensamento) aplicado à descrição, investigação e compreensão dos estímulos visuais é insuficiente.