segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Alienação/ Objetificação do sujeito

O Skinput  - a mais recente invenção de Henrique Malvar, pertencente à Microsoft -  faz com que a nossa pele se transforme num ecrã sensível ao toque. Mais um caso que reflete a progressiva alienação (dissimulada/visível por todos) do sujeito.

A indústria torna possível um leque de escolhas infindáveis no que toca a objetos ditos inovadores. Porém esta liberdade de escolha encontra-se condicionada. E estes objetos não são realmente inovadores – são apenas de caráter tecnológico. Todo esse leque de escolhas leva a um único fim comum - à adequação do indivíduo ao progresso, ao “rush rush” de todos os dias.

Os media disseminam a mensagem de que o indivíduo precisa de se atualizar. De se colocar na moda. Muitas vezes não estando a par do fim que terá essa atualização. Não é a estrutura que tem de se adaptar ao seu criador. É a estrutura que dita as regras a que o Homem se deve adaptar. O sujeito na sua condição natural e no seu ritmo de vida próprio é que se encontra desenquadrado de um todo. De um sistema megalómano que insere todos os indivíduos nos devidos “compartimentos”, a fim que “a máquina, o gigante económico” funcione.

Assim sendo os Gadgets são apresentados ao indivíduo como sendo indispensáveis ao seu quotidiano. E comprados com a ilusória solução de rentabilizarem o seu tempo. Porém estes objetos, não poupam tempo na rotina diária, levam apenas à utilização desse tempo extra para a realização de mais trabalho extra-horário estipulado, e portanto, tempo não remunerado. Raros são os trabalhos, hoje em dia, em que o numero de horas semanal se reduz ao inicialmente acordado.

Existe, portanto, uma crescente distanciação do sujeito relativamente ao seu modo de vida natural. Uma distanciação/morte de si mesmo. O sujeito suprime-se em prol da tecnologia. Objetifica-se. Torna-se parte integrante da máquina, a que sempre quis pertencer, pela sua ilusória rapidez e simplicidade. Assiste-se assim à intermutabilidade entre pessoas e objetos. O objeto é colocado ao nível do ser humano ou mesmo o inverso. Porque são a dada altura equiparáveis.

O caso do Gadget Skinput tem ainda a particularidade de não ser apenas um aparelho que torna o indivíduo dependente de algo exterior a si. O Skinput já faz parte do organismo humano. Funde-se. A pele humana funciona como ecrã táctil. O próprio sujeito é alvo de modificações. Retira-se a sua individualidade e privacidade. É reduzido a um ponto, entre muitos pontos de conexão de uma grande rede, em qualquer momento localizáveis.


Em suma, criámos um “mundo tecnológico” que nos faz pensar que somos de algum modo – inteligentes – porque muitas vezes solucionamos problemas quotidianos com base nele. Porém esse mesmo “mundo tecnológico” não soluciona problemas a longo prazo. Torna-nos dependentes de criações não sustentáveis e que põem em causa a nossa própria natureza. Tornando-nos desconfortáveis no que deveria ser um ambiente adaptado às nossas necessidades.