O Skinput - a mais recente invenção de Henrique Malvar,
pertencente à Microsoft - faz com que a
nossa pele se transforme num ecrã sensível ao toque. Mais um caso que reflete a
progressiva alienação (dissimulada/visível por todos) do sujeito.
A indústria torna possível um leque de
escolhas infindáveis no que toca a objetos ditos inovadores. Porém esta liberdade de
escolha encontra-se condicionada. E estes objetos não são realmente inovadores
– são apenas de caráter tecnológico. Todo esse leque de escolhas leva a um
único fim comum - à adequação do indivíduo ao progresso, ao “rush rush” de
todos os dias.
Os media disseminam a mensagem de que o
indivíduo precisa de se atualizar. De se colocar na moda. Muitas vezes não
estando a par do fim que terá essa atualização. Não é a estrutura que tem de se
adaptar ao seu criador. É a estrutura que dita as regras a que o Homem se deve
adaptar. O sujeito na sua condição natural e no seu ritmo de vida próprio é que
se encontra desenquadrado de um todo. De um sistema megalómano que insere todos
os indivíduos nos devidos “compartimentos”, a fim que “a máquina, o gigante
económico” funcione.
Assim sendo os Gadgets são apresentados
ao indivíduo como sendo indispensáveis ao seu quotidiano. E comprados com a
ilusória solução de rentabilizarem o seu tempo. Porém estes objetos, não poupam
tempo na rotina diária, levam apenas à utilização desse tempo extra para a
realização de mais trabalho extra-horário estipulado, e portanto, tempo não
remunerado. Raros são os trabalhos, hoje em dia, em que o numero de horas
semanal se reduz ao inicialmente acordado.
Existe, portanto, uma crescente
distanciação do sujeito relativamente ao seu modo de vida natural. Uma
distanciação/morte de si mesmo. O sujeito suprime-se em prol da tecnologia. Objetifica-se.
Torna-se parte integrante da máquina, a que sempre quis pertencer, pela sua
ilusória rapidez e simplicidade. Assiste-se assim à intermutabilidade entre
pessoas e objetos. O objeto é colocado ao nível do ser humano ou mesmo o
inverso. Porque são a dada altura equiparáveis.
O caso do Gadget Skinput tem ainda a
particularidade de não ser apenas um aparelho que torna o indivíduo dependente
de algo exterior a si. O Skinput já faz parte do organismo humano. Funde-se. A
pele humana funciona como ecrã táctil. O próprio sujeito é alvo de
modificações. Retira-se a sua individualidade e privacidade. É reduzido a um
ponto, entre muitos pontos de conexão de uma grande rede, em qualquer momento
localizáveis.
Em suma, criámos um “mundo tecnológico”
que nos faz pensar que somos de algum modo – inteligentes – porque muitas vezes
solucionamos problemas quotidianos com base nele. Porém esse mesmo “mundo
tecnológico” não soluciona problemas a longo prazo. Torna-nos dependentes de
criações não sustentáveis e que põem em causa a nossa própria natureza.
Tornando-nos desconfortáveis no que deveria ser um ambiente adaptado às nossas
necessidades.