quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

As maçãs não são todas iguais

Vivemos numa sociedade capitalista em que o lucro é o fim da grande maioria das actividades económicas. É também uma sociedade materialista, em que o estatuto social  é medido pelos bens que cada um possui. Isto não é novidade, palavras, hábitos, sentimentos, entre muitas outros factores que nos rodeiam, sempre foram influenciados pela cultura; mas actualmente chegámos ao extremo da perda de autonomia do Homem e da catalogação por tipos. Nesta sociedade pós-moderna, composta por consumidores, vemo-nos divididos em diversos níveis de consumo, estando todos nós inseridos num “tipo” de consumidor pré-determinado. Assim, é quase certo que nos sentiremos sempre influenciados, mesmo que inconscientemente, pelo mercado que nos rodeia. No nosso dia-a-dia somos bombardeados com apelos ao consumo dos mais diversos produtos e seduzidos a querer possui-los.

Sabem qual é a empresa mais valiosa do mundo, que vale mais de três vezes o PIB português? Isto é, os residentes de Portugal teriam que trabalhar durante três anos para comprar 100% do seu capital. Esta empresa é a apple. E, tal como dezenas de outras empresas pelo mundo fora, faz smart phones, tablets e computadores. Aparelhos que para além de cumprirem as suas funções de comunicação ou outras são também ícones de moda e o desejo de milhões de pessoas em todo o mundo.

Somos assim seduzidos pelos objectos desta marca, e em especial pelo seu produto estrela: o iPhone. O iPhone é um telefone com características técnicas semelhantes a outros disponíveis no mercado. No entanto, o desejo de possuir um iPhone, em muitos casos, vai muito além do seu aspecto funcional. É um símbolo de status e o desejo de o possuir faz com que a apple possa cobrar um valor muito superior àquele que é cobrado  por empresas concorrentes por aparelhos as mesmas características.