segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O feminino objectificado

A mulher, na sociedade actual, é tida como se a sua principal função fosse a sua observação. É determinado então, culturalmente, que a mulher deve seguir determinados padrões e ser assim mostrada ao mundo. Há convenções tanto a nível etário como a nível físico, uma vez que o seu aspecto exterior é considerado o mais importante, mesmo não o sendo. Há então uma objectificação da mulher, patente nos mais variados meios, desde o cinema, onde, invariavelmente, a mulher é alvo de observação, sem uma função verdadeiramente importante, até à publicidade, que espalha a sua imagem de forma exponencial.
Assim, no cinema, a mulher é tida como o que se deve olhar, o “objecto”, enquanto que o homem se torna o sujeito portador do olhar. A acção decorre predominantemente à volta do homem, uma vez que é ele o protagonista, quem faz com que a narrativa se desenvolva, enquanto a mulher se limita a ocupar um lugar de sujeito passivo.
Mesmo quando a mulher ganha uma posição de aparente importância, continua a não ser o mais relevante para o desenrolar da acção. Geralmente serve apenas como o motivo para determinados acontecimentos. Assim, a narrativa verdadeira é a que decorre por causa da mulher, e não a da mulher em si. O seu lugar torna-se então sem importância, mantendo-se a sua objectificação, o seu carácter passivo e a sua “função” de ser observada.
Estas características atribuídas ao feminino são ainda mais notórias quando analisadas no domínio da publicidade. Todos os dias estamos em contacto com quantidades enormes de publicidade e anúncios, de tal forma que no seu conjunto quase se tornam uma massa indistinta, de onde pouco conteúdo se consegue retirar.
Grande parte da imagem publicitária gira em torno da figura feminina, que acaba por ser vendida juntamente dos objectos anunciados. A objectificação torna-se então muito mais evidente, reduzindo a figura feminina a, mais do que algo para ser olhado de relance e ignorado, um objecto de venda ou um mero adorno publicitário.
Esta perda de valor é acentuada pelo público em geral. Hoje em dia, mais do que nunca, a publicidade consegue espalhar-se pelo globo com uma impressionante facilidade. Assim, o público aumenta exponencialmente, tornando o objecto vendido algo banal, que passa pelos olhos do mundo e ao qual ninguém dá verdadeira importância.

A figura feminina acaba então por se tornar um dos maiores alvos de objectificação a nível global, com tendência a aumentar, a não ser que haja, a nível cultural, algum tipo de mudança que faça com se mude de perspectiva relativamente à mulher.