A mulher, na sociedade actual, é tida como se a sua
principal função fosse a sua observação. É determinado então, culturalmente,
que a mulher deve seguir determinados padrões e ser assim mostrada ao mundo. Há
convenções tanto a nível etário como a nível físico, uma vez que o seu aspecto
exterior é considerado o mais importante, mesmo não o sendo. Há então uma
objectificação da mulher, patente nos mais variados meios, desde o cinema, onde,
invariavelmente, a mulher é alvo de observação, sem uma função verdadeiramente
importante, até à publicidade, que espalha a sua imagem de forma exponencial.
Assim, no cinema, a mulher é tida como o que se deve
olhar, o “objecto”, enquanto que o homem se torna o sujeito portador do olhar.
A acção decorre predominantemente à volta do homem, uma vez que é ele o
protagonista, quem faz com que a narrativa se desenvolva, enquanto a mulher se
limita a ocupar um lugar de sujeito passivo.
Mesmo quando a mulher ganha uma posição de aparente
importância, continua a não ser o mais relevante para o desenrolar da acção.
Geralmente serve apenas como o motivo para determinados acontecimentos. Assim,
a narrativa verdadeira é a que decorre por causa da mulher, e não a da mulher
em si. O seu lugar torna-se então sem importância, mantendo-se a sua objectificação,
o seu carácter passivo e a sua “função” de ser observada.
Estas características atribuídas ao feminino são ainda
mais notórias quando analisadas no domínio da publicidade. Todos os dias
estamos em contacto com quantidades enormes de publicidade e anúncios, de tal
forma que no seu conjunto quase se tornam uma massa indistinta, de onde pouco
conteúdo se consegue retirar.
Grande parte da imagem publicitária gira em torno da
figura feminina, que acaba por ser vendida juntamente dos objectos anunciados.
A objectificação torna-se então muito mais evidente, reduzindo a figura
feminina a, mais do que algo para ser olhado de relance e ignorado, um objecto de
venda ou um mero adorno publicitário.
Esta perda de valor é acentuada pelo público em geral.
Hoje em dia, mais do que nunca, a publicidade consegue espalhar-se pelo globo
com uma impressionante facilidade. Assim, o público aumenta exponencialmente,
tornando o objecto vendido algo banal, que passa pelos olhos do mundo e ao qual
ninguém dá verdadeira importância.
A figura feminina acaba então por se tornar um dos
maiores alvos de objectificação a nível global, com tendência a aumentar, a não
ser que haja, a nível cultural, algum tipo de mudança que faça com se mude de
perspectiva relativamente à mulher.