segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O que é para si um sabão?

De acordo com o decorrer da semana que passou, dirigi-me a várias pessoas de diferentes idades e de sexos opostos e questionei-os duplamente: o que é para si um sabão? Se tivesse de comprar um agora, era capaz de o descrever?

Inicialmente baralhados com a primeira questão, pela imediatez da resposta, todas o descreveram como "algo que serve para lavar". Assim, posso afirmar que a utilidade do sabonete está definida e unificada no âmbito da minha amostra, e assim na nossa sociedade. Porém, existe simultâneamte uma espécie de disjunção, de uma complexidade disfarçada, revelada na segunda pergunta. Nesta, as respostas foram variadíssimas, cujo o único padrão possível a marcar seria o próprio sabão, uma vez que as descrições foram desde a textura à durabilidade e cor deste elemento cultural. Sem dúvida que cada vez mais as coisas se tornam em objectos de julgamento, em objectos associados a sexos, marcas, formatos...- formas de segmentação, do que, pela sua utilidade definida, se assemelhavam inicialmente a algo homogéneo. Há uma contaminação dos objectos para as pessoas. Esta segmentação é em parte dada pelo avançar de um capitalismo cujo a ideologia subjacente é vender mais. Deste modo, cria-se um perfil de consumo que nos ilude, fazendo-nos pensar que escolhemos algo, sendo na realidade, essa escolha orientada e feita anteriormente à nossa.

Um simples sabão é assim demonstrativo do que se passa na nossa sociedade e rotina do quotidiano. Existe um crescente do sexismo dado pela atribuição de géneros a objectos que não possuem género, da pressão social que acentua a segmentação dos géneros e da criação de uma complexidade cultural e de um todo heterogéneo revestido por uma falsa homogeneidade, de uma antítese rejeitada e ignorada pela grande maioria. Um simples sabão.