Foi há um ano atrás que fui à Holanda visitar a minha irmã.
Num dos nossos passeios em Amesterdão, naquela cidade espectacular, fomos ao Rijks Museum. Lá, deu-se um acontecimento que faço questão de relatar. Passo a explicar: naquele lugar, rodeada de arte - das obras mais emblemáticas - eu nem sabia por onde começar! “Vou para aquela sala? Ou para a outra?”, pensava. Bem, decidi começar a explorar e dirigi-me até ao quadro “A Leiteira” de Vermeer pois há muito que ansiava vê-lo ao vivo! Estava fixada a olhar para o quadro - a ver os detalhes, as sombras, a luz, a técnica, as pinceladas, as cores - até olhar para trás e deparar-me com uma multidão. Multidão esta que, tal como eu, ansiava por apreciar esta obra ao vivo. No entanto, “apreciava-a” através da lente. Fotografavam desalmadamente com os seus iPads e smartphones, davam empurrões uns aos outros para tirar “A fotografia”. Afastei-me e fiquei a observar... Aproximavam-se de um quadro, tiravam fotografia. Aproximavam-se de outro quadro, tiravam outra fotografia e iam para outro, e assim sucessivamente. Eu pensava que os museus eram locais onde as pessoas pudessem ir admirar as obras, literalmente, “ao vivo e a cores”; onde as pessoas pudessem senti-las, vivê-las e observar todos os pormenores, como um verdadeiro apreciador. Não locais, onde se fotografa e partilha fotografias nas redes sociais, muitas vezes apenas por exibicionismo. Para as observar no ecrã, poderiam fazê-lo em casa ou noutro sítio qualquer.
A sociedade está a torna-se cada vez mais alienada, podendo afirmar-se que as redes sociais - aqueles “pequenos” espaços virtuais onde depositamos grande parte das nossas vidas – assumem um forte papel nesta mudança.