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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Walter Benjamin: a questão da reprodutibilidade técnica da obra de arte


A comercialização de imitações de obras de arte, famosas e sobretudo de grande valor, é algo comum desde que me lembro. Já pude ver a Mona Lisa de Leonardo Da Vinci e A Noite Estrelada de Vincent van Gogh algumas vezes ao vivo, apesar de nunca ter ir aos respectivos museus onde se encontram as obras originais. No entanto, não posso dizer que tive “o prazer” ou que “adorei” ver aqueles quadros, porque, na verdade, são apenas imitações, que podem estar bastante idênticos aos originais, mas sem qualquer história ou valor artístico. 
De acordo com Walter Benjamin, a obra de arte sempre foi reprodutível. Na antiguidade, elementos artísticos já existentes eram reproduzidos por discentes para aprenderem ou por mestres para divulgarem as obras ou até mesmo para comercialização. Com o avançar dos séculos, a reprodutibilidade das coisas teve sempre tendência para aumentar, e foi com aparecimento da fotografia, no século XIX, que a reprodução das artes gráficas passou a ser realizada através de uma objectiva e do olho humano, não sendo mais necessário a intervenção da mão.
A fotografia permitia que todas as reproduções fossem muito mais perfeitas e próximas da
realidade do que qualquer outra imitação jamais realizada. Mas apesar de toda a
inovação que a fotografia trouxe ao mundo da arte, faltava-lhe qualquer coisa, tal como a
todas as reproduções feitas anteriormente. Ao contrário de uma peça original, que é única
por muito que haja a possibilidade de ter várias imitações, uma reprodução, que pode ser
muito bem feita, nunca terá a mesma legitimidade. É este aspecto que Walter Benjamin
esclarece com este tema.
Todas as peças originais têm algo único que as caracteriza e que não é possível ser
captado nem transmitido para mais nenhuma reprodução. Benjamin refere-se a uma aura,
algo que apenas existe nas peças originais graças ao “aqui” e “agora” ou graças à sua
autenticidade. A aura que existia nas peças desaparece assim que elas são reproduzidas,
pois não é transmissível. Por essa razão, quando alguém está perante a obra original
sente algo diferente ao estar na sua presença do que se estiver perante uma imitação

dessa mesma obra. A obra original tem algo que a outra não tem: singularidade - aura. 

domingo, 7 de dezembro de 2014

O estudo e a arbitrariedade do signo

É incrível a diversidade de objectos que são tão importantes no nosso dia-a-dia e que não nos apercebemos. Refiro-me a sinais de trânsito, relógios, indicadores de farmácias, esquadras, casas de banho, hospitais, paragens de autocarro, passadeiras, etc. Isto porque estão praticamente incluídos no nosso meio ambiente, por estarmos tão habituados a vê-los, e pelo facto de os termos tomado como garantidos. Mas o que seria de nós se um dia saíssemos à rua e tudo isto não existisse? Será que iríamos sentir necessidade de os voltar a ver? Acredito que sim. 
Ferdinand de Saussure foi um filósofo e linguista suíço do século XIX e um dos principais percursores europeus no estudo da semiótica. O estudo dos signos é, na sua opinião, de extrema importância, visto que, como já foi referido anteriormente, estão muito presentes no nosso quotidiano e é através deles que criamos uma relação entre um conceito e uma representação. É esta relação que criamos com os objectos e símbolos acima descritos, que faz com que sejam tão importantes na nossa vida, uma vez que nos ajudam e facilitam a melhor compreender tudo o que nos rodeia. 

A sua concepção de signo distingue o mundo representativo da realidade. Para Saussure, os signos são compostos apenas por significante e significado, sem qualquer laço natural entre ambos, que são inseparáveis, e é dessa relação que surge a significação, num contexto cultural específico. No entanto, essa relação torna-se arbitrária e sem qualquer sentido, se não tiver um contexto cultural associado, pois, em culturas diferentes, o mesmo objecto tem designações diferentes. Enquanto que num país um objecto pode ter aquele nome, noutro país o mesmo objecto tem um nome totalmente diferente. Portanto, um signo só ganha significado ao integrar um contexto cultural, pois sem este a sua existência não faz sentido.