domingo, 11 de janeiro de 2015

O Signo

Saussurre entendia a palavra como um signo, uma unidade que, quando organizada numa sequência, forma um discurso. O signo linguístico une a imagem acústica (não se trata do som da língua em si, mas da imagem mental que criamos e associamos ao mesmo) com o conceito (representação mental de um objecto ou realidade social), já que estes elementos estão intimamente unidos. Segundo a semiologia de Saussurre, o signo é portanto uma entidade bifacial composta pelo significado (conceito) e significante (imagem acústica) e a associação de ambos.
Contrariamente a Saussure, Charles Pierce apresenta-nos uma teoria no ramo da semiótica que abrange o signo geral, ou seja, para Pierce o signo pode ser qualquer coisa. Estuda os fenómenos culturais como sistemas de signos, a partir dos quais elabora a sua teoria.
Comparado à teoria de Saussure, a teoria de Pierce baseia-se na tricotomia do signo. Isto é, o Homem significa tudo o que o rodeia numa percepção triádica: é composta pelo signo, pelo objecto e pelo interpretante. O signo não está directamente ligado ao objecto, necessitamos do terceiro componente, o interpretante, para estabelecer a relação entre os dois. O signo só representa um objecto via interpretante, que também se pode tornar noutro signo, que convoca outro interpretante que o levará a outro objecto e assim por diante.
Para Pierce a categoria é um modo lógico de as coisas existirem. Na sua concepção de semiótica ele procura os sentidos em todos os tipos de linguagens possíveis (teoria geral). Por essa mesma razão, ele necessita de modos de produção de sentidos que sejam aplicáveis a todos os fenómenos. Esses tais fenómenos acontecem na consciência do indivíduo segundo três modos de categorias, que são qualificadas como modos de operação do pensamento. Subdividimo-los em três níveis: “Firstness” onde o fenómeno se apresenta à consciência do Homem como acaso. Aqui não existe relação com outras coisas, pois é uma qualidade absoluta e pura. “Secondness” em que se dá a acção e reacção. O Homem procura entender o fenómeno através do estabelecimento de uma relação com alguma coisa. E, por fim, o “Thirdness” que é o momento de interpretar e estabelecer uma relação entre os signos. Trata-se de uma síntese explicativa dos dois níveis anteriores.
Ao contrário de Saussure, Pierce define o signo como a variante, afectada pelas três categorias, encarando-o como algo interpretativo e dinâmico. Desta forma, apenas através da sintetização destas três identidades podemos chegar à semiose. Deste modo, a teoria do signo em Peirce permite integrar a pragmática como dimensão fundamental da semiose, enquanto que Saussure ignora a participação da pragmática na interpretação, uma vez que entende a significação como imanente ao sistema. Em Peirce, a situação enunciativa é exterior à construção do sentido, não intervindo como factor de valor semântico do enunciado. Tem, assim, uma percepção extrínseca de pragmatismo: as significações são dadas pelo sistema. Então, para Peirce, a interpretação é a própria constituição da significação no interior do processo – a constituição da significação e dimensão pragmática da linguagem são inseparáveis.