sábado, 3 de janeiro de 2015

Infotainment

O mundo do jornalismo tem sido alvo de profundas mutações. Com modificações estruturais profundas, submetidas a fortes lógicas  económicas  e políticas, que obrigam a repensar o que se entende por informação jornalística e em que consiste o trabalho dos  jornalistas nestas sociedades de capitalismo avançado. A concentração e privatização em curso  no sector dos media, gerida por gigantescas  corporações  e conglomerados  empresariais, tem  vindo a cultivar um tipo de jornalismo aprisionado na lógica do infotainment, tornando cada vez mais  difícil a garantia do direito individual e inalienável  dos  cidadãos  de acesso ao  conhecimento, à cultura, à formação de opinião e capacidade de tomadas de decisão públicas, em consciência. Trata-se de uma nova ordem económico-­tecnológica onde o complexo industrial parece, aliás, considerar legítimo que o jornalista deixe de ser um mediador, e olhe para a informação não como um bem público, mas totalmente como uma mercadoria. Aceita  produzir informação de forma semelhante a uma linha de montagem, serializada, rotinizada, organizativa e veloz, destinada a ser consumida também rápida e mecanicamente. Envolvidos  pelas  “maravilhas  tecnológicas” e pelo negócio que a “informação” acarreta, a mediação jornalística e o jornalismo têm vindo a perder o objectivo de se vincular ao conhecimento e à cultura, em que fundaram a sua legitimidade, para passarem a meros comunicadores.

Colocados perante fortes constrangimentos que exigem renovados paradigmas de acção  profissional, os jornalistas contemporâneos enfrentam tensões, inquietude identitária e espaços  de resistência que é necessário analisar: a adaptação aos imperativos tecnológicos; ao jornalismo em linha (ciberjornalismo); à concorrência directa de outros profissionais; aos ritmos de trabalho acelerados e ao curto-­circuito empresarial que os cerca. 

Se relacionamos este assunto com a teoria da Ideologia de Marx, podemos dizer que estamos perante uma imposição das ideias de uma minoria dominante a uma maioria oprimida. Esta maioria, eventualmente, tem que se aperceber dessa falsa consciência e mudar a ordem social a que impõe.