Laranja (fruto) – A palavra tem a sua origem no árabe naranj.
Neste contexto designa:
1. Fruto comestível da laranjeira, de forma esférica, casca dura e
polpa dividida em secções, rodeadas por uma película fina.
O fruto provém
da Citrus aurantium e mais tarde Citrus x sinensis
Laranja (cor) – A palavra é homógrafa de naranj,
cujo nome lhe foi atribuído devido ao fruto embora a cor tenha existido
primeiro. Neste contexto significa:
2. Cor característica da casca da laranja, entre o amarelo intenso
e o avermelhado, ou que tem essa cor.
A
cor laranja tem um comprimento de onda de 620-585 nanómetros e em termos
cromáticos surge da junção de magenta com amarelo.
“O
signo linguístico une não uma coisa e um nome, mas um conceito e uma imagem
acústica.” -Ferdinand
Saussure
O
significante Laranja é composto pelos significados, laranja (fruto) e laranja
(cor). Na ausência do significado não somos capazes culturalmente de os
distinguir pois não percepcionamos o audiovisual da palavra escrita. O laranja
em si sem estar associado ao material (cor ou fruto) pode ter para nós um
significado semelhante, porém os dois conceitos são indissociáveis, talvez pelo
facto do nosso entendimento não os conseguir separar. Constatamos que todas as
laranjas são cor de laranja mas nem toda a matéria cor de laranja são laranjas
(fruto).
A
sociedade associa o físico às ideias estabelecendo conexões e criando
consequentemente os signos. No Curso de Linguística Geral,
Ferdinand Saussure refere que por vezes as ideias surgem antes das palavras, o
que se verifica neste caso pois a ideia de laranja já existia no espectro visível
muito antes de lhe ter sido atribuída uma identificação que torna possível o
seu reconhecimento enquanto forma.
É
intrigante pensar como o significado determina o significante e de que forma
uma cultura estabelece ligações que comprometem a evolução social e o modo como
percepcionamos o que nos rodeia desde cores a objectos.