Nos dias que correm, a maioria dos seres humanos, talvez uma ideia mais
associada ao sexo feminino vive numa constante necessidade de criação de
imagens, quer de si mesmos, quer do que os envolve, criando assim, muitas das
vezes a existência de padrões.
Um dos constantes padrões associados à sociedade é a Beleza. Este mesmo
padrão está também ele próprio em realidade paralela com o contexto social, ou,
especificando o tema, das “Modas” que é também por si só um objecto cultural devido
à sua existência arbitrária consoante os tempos.
A noção de Beleza pode então ser entendida como um símbolo de poder por
meio da ostentação de um determinado objecto que na sua realidade é meramente
fictício, assim como, a falsa noção de competição entre indivíduos distintos
entre si - isto, porque tudo é uma imagem dos próprios.
A Beleza está então num possível patamar que poderá ser adjectivado como
superficial, logo, os que prezam e fazem para preservar essa mesma imagem em si
próprias poderão de alguma forma ser tituladas por superficiais.
Por outro lado, podemos também ter a noção de conservação de Beleza,
como uma conservação de bem-estar contínua, fazendo uma possível anulação da sugestão
inicial de superficialidade. No entanto, a este respeito tenho como
conhecimento experienciado que as pessoas que vivem para os pequenos prazeres
do bem-estar são, ou acabam por se tornar, na sua maioria, de um patamar
completamente superficial devido à crença de que as coisas serão a sua
realidade deixando-se desta forma alienadas pelo próprio objecto, sendo que, as
mesmas, fazem dos “pequenos prazeres” materiais, a sua própria pessoa.
A superficialidade é assim o meio de ostentação para aqueles que têm em
si a crença de um alguém melhor por meio do mundo das coisas, e, assim, seguindo
a lógica de Karl Marx, podemos até afirmar que esta troca de dependência por
parte do sujeito é uma prática de destruição do verdadeiro valor de si próprio.
Desta forma, o sujeito deixa de se viver para se deixar levar pela onda
de um ser vivido, tanto pelos próprios objectos como também pelos outros tantos
indivíduos de mentalidade semelhante que o rodeia.
Concluo assim que o homem passa a ser mais coisa, talvez mais do que as
próprias coisas, havendo a necessidade, não por parte do objecto inanimado, mas
sim pelo sujeito que pessoalmente assumo como “robótica”, que apresenta um
estado de necessidade para a realização desse algo para o seu chamado
“bem-estar” psicológico que contribuirá para um estado de beleza mais
considerado, sendo muitas das vezes esse tipo de bem-estar, trocado por aquilo
que são as reais necessidades do próprio.
Para
terminar, para que o leitor sinta alguma abertura intelectual relativa ao tema do
próprio trabalhar da Beleza e por sua vez, do bem-estar, deixo por fim um
excerto de uma das minhas mais recentes leituras com uma outra visão mais
literáriamente trabalhada, também relativa à Beleza:
“Sorri? Ah! Quando a
tiver perdido não sorrirá…Dizem às vezes que a Beleza é superficial. Talvez.
Mas pelo menos não é tão superficial como o Pensamento. Para mim, a Beleza é a
maravilha das maravilhas. Só as pessoas banais é que não julgam pelas
aparências. O verdadeiro mistério do mundo é o visível, e não o invisível…”