segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Superficiali(Bel)dade

Nos dias que correm, a maioria dos seres humanos, talvez uma ideia mais associada ao sexo feminino vive numa constante necessidade de criação de imagens, quer de si mesmos, quer do que os envolve, criando assim, muitas das vezes a existência de padrões.
Um dos constantes padrões associados à sociedade é a Beleza. Este mesmo padrão está também ele próprio em realidade paralela com o contexto social, ou, especificando o tema, das “Modas” que é também por si só um objecto cultural devido à sua existência arbitrária consoante os tempos.
A noção de Beleza pode então ser entendida como um símbolo de poder por meio da ostentação de um determinado objecto que na sua realidade é meramente fictício, assim como, a falsa noção de competição entre indivíduos distintos entre si - isto, porque tudo é uma imagem dos próprios.
A Beleza está então num possível patamar que poderá ser adjectivado como superficial, logo, os que prezam e fazem para preservar essa mesma imagem em si próprias poderão de alguma forma ser tituladas por superficiais.
Por outro lado, podemos também ter a noção de conservação de Beleza, como uma conservação de bem-estar contínua, fazendo uma possível anulação da sugestão inicial de superficialidade. No entanto, a este respeito tenho como conhecimento experienciado que as pessoas que vivem para os pequenos prazeres do bem-estar são, ou acabam por se tornar, na sua maioria, de um patamar completamente superficial devido à crença de que as coisas serão a sua realidade deixando-se desta forma alienadas pelo próprio objecto, sendo que, as mesmas, fazem dos “pequenos prazeres” materiais, a sua própria pessoa.
A superficialidade é assim o meio de ostentação para aqueles que têm em si a crença de um alguém melhor por meio do mundo das coisas, e, assim, seguindo a lógica de Karl Marx, podemos até afirmar que esta troca de dependência por parte do sujeito é uma prática de destruição do verdadeiro valor de si próprio.
Desta forma, o sujeito deixa de se viver para se deixar levar pela onda de um ser vivido, tanto pelos próprios objectos como também pelos outros tantos indivíduos de mentalidade semelhante que o rodeia.
Concluo assim que o homem passa a ser mais coisa, talvez mais do que as próprias coisas, havendo a necessidade, não por parte do objecto inanimado, mas sim pelo sujeito que pessoalmente assumo como “robótica”, que apresenta um estado de necessidade para a realização desse algo para o seu chamado “bem-estar” psicológico que contribuirá para um estado de beleza mais considerado, sendo muitas das vezes esse tipo de bem-estar, trocado por aquilo que são as reais necessidades do próprio.
              Para terminar, para que o leitor sinta alguma abertura intelectual relativa ao tema do próprio trabalhar da Beleza e por sua vez, do bem-estar, deixo por fim um excerto de uma das minhas mais recentes leituras com uma outra visão mais literáriamente trabalhada, também relativa à Beleza:


“Sorri? Ah! Quando a tiver perdido não sorrirá…Dizem às vezes que a Beleza é superficial. Talvez. Mas pelo menos não é tão superficial como o Pensamento. Para mim, a Beleza é a maravilha das maravilhas. Só as pessoas banais é que não julgam pelas aparências. O verdadeiro mistério do mundo é o visível, e não o invisível…”