"O dinheiro não traz felicidade."
O dinheiro compra. A partir do momento em que compro algo, esse algo passa a ser meu, como tal eu possuo esse algo. Passo, portanto, a ser um possuidor de algo, de coisas, de objectos e necessidades. Compro se tenho dinheiro ou apenas por conveniência. Assim sendo, posso também comprar o que dizemos que não tem preço. Posso comprar beleza e, por conseguinte, ser belo pois possuo essa beleza. O mesmo se passa com a felicidade. Tendo dinheiro, acaba tudo por ser possível. Sou feliz porque tenho dinheiro ou tenho dinheiro logo sou feliz? Logicamente, tenho dinheiro, quero felicidade, compro felicidade e sou feliz.
Mas será que possuir é sinónimo de ser? Até que ponto o ter se torna ser e o ser (humano) não é mas tem? A questão passaria a "ter logo existo". Mas será essa felicidade real? Será que interiormente serei mesmo feliz? E não será essa felicidade adulterada? "O dinheiro é o alcoviteiro entre a necessidade e o objecto, entre a vida e o meio de vida do homem." Karl Marx, em Manuscritos Económico-Filosóficos, Não negaremos que o dinheiro, até um certo patamar, não traga felicidade. Traz. Se preciso de algo necessário tanto à minha subsistência como meio de concretização pessoal e tenho dinheiro, porque não? Posso, compro. Agora, quando estaremos a passar o limite entre essa necessidade genuína e apenas possessão?
"O dinheiro não traz felicidade." Ponto final parágrafo. Ponto de interrogação.