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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

"All photographs are memento mori" Susan Sontag


A fotografia serve para gravar um momento morto, uma memória, uma recordação aos vivos de que a vida é curta. Já nos aconteceu a todos olhar para uma fotografia, não conhecer o que está formalizado, mas em termos de percepção reconhecer quais são os objectos nela representados, ou, no caso abaixo ilustrado, de que o motivo capturado são pessoas. Ou seja, de acordo com o exemplo abaixo, apesar da pessoa fotografada, nos ser anónima, desconhecida e de nunca nos termos cruzado com ela ou convivido no mesmo espaço, apercebemo-nos e somos capazes de a reconhecer como tal, como um ser humano, devido às características anatómicas e morfológicas que nos são comuns. A partir de um olhar minimamente atento, o sujeito é capaz de identificar na imagem dois perfis do mesmo indivíduo, minimamente marcados, e uma outra mancha, mais ténue, que os enquadra e representa uma vista frontal do mesmo motivo. Enquanto Saussure esclarece o signo enquanto unidade atómica e o subdivide numa dimensão material e noutra conceptual, Roland Barthes também o procura fazer com a fotografia de um modo totalmente distinto do primeiro. Passo a explicar. Barthes associa o significado ao que foi colocado para ser fotografado e o significante aos objectos depois de fotografados, às manchas cromáticas que criam a imagem. Deste modo, esta percepção que somos capazes de fazer, de identificar no objecto a forma de um ser humano que nunca víramos, é devido ao referente que está no próprio objecto fotográfico. Como tal a fotografia é uma imagem literal denotada e icónica não codificada, pelo que não lhe está implícita uma noção de cultura. Ou seja, segundo Barthes há uma mensagem sem código, há uma possibilidade de comunicação, pela imagem fotográfica, que não implica qualquer tipo de código. 

Pinhole realizada no âmbito da disciplina de Fotografia



segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O que é para si um sabão?

De acordo com o decorrer da semana que passou, dirigi-me a várias pessoas de diferentes idades e de sexos opostos e questionei-os duplamente: o que é para si um sabão? Se tivesse de comprar um agora, era capaz de o descrever?

Inicialmente baralhados com a primeira questão, pela imediatez da resposta, todas o descreveram como "algo que serve para lavar". Assim, posso afirmar que a utilidade do sabonete está definida e unificada no âmbito da minha amostra, e assim na nossa sociedade. Porém, existe simultâneamte uma espécie de disjunção, de uma complexidade disfarçada, revelada na segunda pergunta. Nesta, as respostas foram variadíssimas, cujo o único padrão possível a marcar seria o próprio sabão, uma vez que as descrições foram desde a textura à durabilidade e cor deste elemento cultural. Sem dúvida que cada vez mais as coisas se tornam em objectos de julgamento, em objectos associados a sexos, marcas, formatos...- formas de segmentação, do que, pela sua utilidade definida, se assemelhavam inicialmente a algo homogéneo. Há uma contaminação dos objectos para as pessoas. Esta segmentação é em parte dada pelo avançar de um capitalismo cujo a ideologia subjacente é vender mais. Deste modo, cria-se um perfil de consumo que nos ilude, fazendo-nos pensar que escolhemos algo, sendo na realidade, essa escolha orientada e feita anteriormente à nossa.

Um simples sabão é assim demonstrativo do que se passa na nossa sociedade e rotina do quotidiano. Existe um crescente do sexismo dado pela atribuição de géneros a objectos que não possuem género, da pressão social que acentua a segmentação dos géneros e da criação de uma complexidade cultural e de um todo heterogéneo revestido por uma falsa homogeneidade, de uma antítese rejeitada e ignorada pela grande maioria. Um simples sabão.