"O dinheiro não traz felicidade."
O dinheiro compra. A partir do momento em que compro algo, esse algo passa a ser meu, como tal eu possuo esse algo. Passo, portanto, a ser um possuidor de algo, de coisas, de objectos e necessidades. Compro se tenho dinheiro ou apenas por conveniência. Assim sendo, posso também comprar o que dizemos que não tem preço. Posso comprar beleza e, por conseguinte, ser belo pois possuo essa beleza. O mesmo se passa com a felicidade. Tendo dinheiro, acaba tudo por ser possível. Sou feliz porque tenho dinheiro ou tenho dinheiro logo sou feliz? Logicamente, tenho dinheiro, quero felicidade, compro felicidade e sou feliz.
Mas será que possuir é sinónimo de ser? Até que ponto o ter se torna ser e o ser (humano) não é mas tem? A questão passaria a "ter logo existo". Mas será essa felicidade real? Será que interiormente serei mesmo feliz? E não será essa felicidade adulterada? "O dinheiro é o alcoviteiro entre a necessidade e o objecto, entre a vida e o meio de vida do homem." Karl Marx, em Manuscritos Económico-Filosóficos, Não negaremos que o dinheiro, até um certo patamar, não traga felicidade. Traz. Se preciso de algo necessário tanto à minha subsistência como meio de concretização pessoal e tenho dinheiro, porque não? Posso, compro. Agora, quando estaremos a passar o limite entre essa necessidade genuína e apenas possessão?
"O dinheiro não traz felicidade." Ponto final parágrafo. Ponto de interrogação.
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domingo, 14 de dezembro de 2014
A obra que se reproduz
Até que ponto é que o quadro à nossa frente é verdadeiro?
Este verão visitei vários museus em diferentes cidades, não só nacionais, e questionei-me repetidamente se seria falso o que paguei para ver. São já várias as notícias que se veem de obras de arte falsificadas que estavam em exposição, em museus de renome, sem nunca se ter descoberto a sua veracidade. Claro está que, por princípio, a obra de arte é sempre reprodutível; sabemo-lo nós, alunos desta faculdade, muito bem; aprendemos por repetição, por treino de técnicas, de traços, por imitação de obras de outrem, na expectativa de chegar às suas mestrias. No entanto, até que ponto é que esta "multiplicação" de uma imagem, vezes e vezes sem conta, não levará à desvalorização do original? Se em tempos Picasso ou qualquer outro era um mestre nos seus quadros, agora que existem vários artistas que o imitam na perfeição - tornando-se quase impossível aos críticos de arte avaliar o seu valor - como será essa obra de arte uma obra de arte em si, algo de extremo valor e única? A obra deixa, então, de ser singular e passa a uma reprodução em massa, fácil de chegar a qualquer lado e estar em todo o lado.
Entramos assim numa reprodução de "falsidade" em que a cópia é mais que o original pois este último já vale tanto como se de uma cópia se tratasse e o ciclo vicioso continua. Continuaremos então a referir-nos a obras de arte ou simplesmente a peças reproduzidas ilimitadamente?
"If you hang them in a museum for long enough they become real. Because there's always a market.", Elmyr de Hory - um grande falsificador de quadros do século XX - no filme "F for Fake" de Orson Wells.
Este verão visitei vários museus em diferentes cidades, não só nacionais, e questionei-me repetidamente se seria falso o que paguei para ver. São já várias as notícias que se veem de obras de arte falsificadas que estavam em exposição, em museus de renome, sem nunca se ter descoberto a sua veracidade. Claro está que, por princípio, a obra de arte é sempre reprodutível; sabemo-lo nós, alunos desta faculdade, muito bem; aprendemos por repetição, por treino de técnicas, de traços, por imitação de obras de outrem, na expectativa de chegar às suas mestrias. No entanto, até que ponto é que esta "multiplicação" de uma imagem, vezes e vezes sem conta, não levará à desvalorização do original? Se em tempos Picasso ou qualquer outro era um mestre nos seus quadros, agora que existem vários artistas que o imitam na perfeição - tornando-se quase impossível aos críticos de arte avaliar o seu valor - como será essa obra de arte uma obra de arte em si, algo de extremo valor e única? A obra deixa, então, de ser singular e passa a uma reprodução em massa, fácil de chegar a qualquer lado e estar em todo o lado.
Entramos assim numa reprodução de "falsidade" em que a cópia é mais que o original pois este último já vale tanto como se de uma cópia se tratasse e o ciclo vicioso continua. Continuaremos então a referir-nos a obras de arte ou simplesmente a peças reproduzidas ilimitadamente?
"If you hang them in a museum for long enough they become real. Because there's always a market.", Elmyr de Hory - um grande falsificador de quadros do século XX - no filme "F for Fake" de Orson Wells.