domingo, 14 de dezembro de 2014

A obra que se reproduz

Até que ponto é que o quadro à nossa frente é verdadeiro?

Este verão visitei vários museus em diferentes cidades, não só nacionais, e questionei-me repetidamente se seria falso o que paguei para ver. São já várias as notícias que se veem de obras de arte falsificadas que estavam em exposição, em museus de renome, sem nunca se ter descoberto a sua veracidade. Claro está que, por princípio, a obra de arte é sempre reprodutível; sabemo-lo nós, alunos desta faculdade, muito bem; aprendemos por repetição, por treino de técnicas, de traços, por imitação de obras de outrem, na expectativa de chegar às suas mestrias. No entanto, até que ponto é que esta "multiplicação" de uma imagem, vezes e vezes sem conta, não levará à desvalorização do original? Se em tempos Picasso ou qualquer outro era um mestre nos seus quadros, agora que existem vários artistas que o imitam na perfeição - tornando-se quase impossível aos críticos de arte avaliar o seu valor - como será essa obra de arte uma obra de arte em si, algo de extremo valor e única? A obra deixa, então, de ser singular e passa a uma reprodução em massa, fácil de chegar a qualquer lado e estar em todo o lado.
Entramos assim numa reprodução de "falsidade" em que a cópia é mais que o original pois este último já vale tanto como se de uma cópia se tratasse e o ciclo vicioso continua. Continuaremos então a referir-nos a obras de arte ou simplesmente a peças reproduzidas ilimitadamente?

"If you hang them in a museum for long enough they become real. Because there's always a market.", Elmyr de Hory - um grande falsificador de quadros do século XX - no filme "F for Fake" de Orson Wells.