segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Um erro de Marx

A páginas 87 de " O capital: crítica da economia política ", Marx, em 1867, defende que:

" ... o que está na base da determinação da magnitude de valor ... é a duração temporal daquele dispêndio [ de cérebro, nervos, músculos, órgãos dos sentidos ] ou a quantidade do trabalho... "

Creio que Marx está errado. O objecto artístico ajuda-nos a entender isto. 

É verdade que Karl Marx não disse que qualquer obra  do trabalho humano  teria valor por  si mesma ( por exemplo, transportar detritos de um lado para o outro sem um objectivo, é um acto sem valor, independentemente do número de horas que eu dispenda a fazê-lo ); Marx compreendia que para a mercadoria ter valor as pessoas ter-lhe-iam que atribuir um valor de uso. 

O erro reside no facto de ele considerar que quando esta característica é dada a algo, o valor-custo deste algo é determinado pelo número de horas de trabalho utilizado na sua produção. Ora isto não é verdade porque, de facto, o valor-custo de uma mercadoria não depende da quantidade de trabalho despendida para a realizar mas sim do valor que o consumidor atribui ao produto, ou seja, o valor-custo não depende do trabalho, o valor do trabalho é que deriva do valor-custo determinado pelo desejo que o público tem pelo bem.

Vemos com clareza uma demonstração deste facto na arte: muitos artistas produzem obras numa fase inicial da sua vida sem que elas sejam valorizadas; contudo, mais tarde, os mesmos objectos artísticos podem atingir valores vertiginosos sem que o autor neles invista quaisquer horas de trabalho suplementares. Penso, como exemplo, na evolução de valor das obras de Koons entre o princípio do anos 80 e a actualidade. É o desejo do público ( " consumidor " ) que determina o valor-custo.