"Se você for mulher – a não ser que
seja muito rica e privilegiada - há mais probabilidades de enfrentar humilhação
e indignidade aqui" – correspondente da BBC na Índia
A
Índia foi considerada um dos piores países para se nascer mulher. Neste país, o
nascimento de crianças do sexo feminino é visto como uma desgraça para a
família em questão. A mãe é maltratada, negligenciada e muitas vezes abandonada
pelo marido. No caso do nato ser do sexo feminino, este é, muitas vezes
abortado, ou então assassinado após o parto.
Na
maioria dos casos a mulher é vista como apenas um encargo financeiro, já que
até para casar têm que fazer-se acompanhar pelo dote, proibido desde o início dos
anos 60. Mas mesmo que este não existisse, a mulher continuaria ser vítima de
violações, assédios, humilhações, maus-tratos e assassinatos. Práticas estas,
bastante comuns e em número muito elevado neste país.
Tudo
isto resulta de uma grave situação cultural, a qual foi descrita por Simone
Beauvoir, na sua obra o “Segundo Sexo”: “Nenhum destino biológico, psíquico,
económico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o
conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e
o castrado que qualificam de feminino”.
Considero,
deste modo, que é urgente a reforma da educação deste país, no sentido da
implementação de valores como o respeito e a igualdade. Só assim se conseguirá
renovar e fazer crescer uma sociedade que represente de forma digna o seu país,
que lute para defender os seus cidadãos e não para criar desigualdade entre os
géneros que a compõem.