quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

O dinheiro compra aquilo que tem preço, não o que tem valo


Imaginar uma falsificação perfeita de um quadro considerado uma obra de arte, onde nenhuma diferença pode ser apontada, e, nenhum perito consegue avaliar a distinção entre o verdadeiro e o falso, pode ter um preço mas será que chega a ter valor?

A obra original e a cópia "Interior"(1912), de Frank Weston Benson  em exibição em simultâneo  


 Apesar de a nível estético não ser possível destacar nenhuma diferença, a obra original detém propriedades que a falsificação nunca conseguirá alcançar. O original poderá ser produto de um artista ou período, que o tornaram revolucionário enquanto obra, enquanto que a falsificação, no máximo, poderá ser revolucionária enquanto cópia, sem qualquer valor para além desse. De certa forma, a existência dessa diferença entre ambos é óbvia. 

 Afirmar que nesta sociedade capitalista tudo tem um preço, e que muitas pessoas lhe ligam exclusivamente, deixando o valor de parte, pode ser considerada uma generalização um tanto arrojada, mas se admitirmos que realmente acontece, e que o mundo das artes não é excepção, então um quadro perde o seu valor e ganha um preço. No caso de uma falsificação, esta adquire o valor da obra original, apesar de hipoteticamente não deter valor nenhum, para além do monetário; E em contra partida a obra original apesar de deter valor, é desvalorizada, pois é igualada em termos monetários à falsificação. É claro que um original nunca poderá ser igualado a uma cópia em termos de valor, apesar de monetariamente uma falsificação chegar a valer o mesmo que o original.