Imaginar uma falsificação perfeita de um quadro considerado uma obra de
arte, onde nenhuma diferença pode ser apontada, e, nenhum perito consegue avaliar
a distinção entre o verdadeiro e o falso, pode ter um preço mas será que chega
a ter valor?
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| A obra original e a cópia "Interior"(1912), de Frank Weston Benson em exibição em simultâneo |
Apesar de a nível estético não ser possível destacar nenhuma
diferença, a obra original detém propriedades que a falsificação nunca conseguirá
alcançar. O original poderá ser produto de um artista ou período, que o
tornaram revolucionário enquanto obra, enquanto que a falsificação, no máximo,
poderá ser revolucionária enquanto cópia, sem qualquer valor para além desse.
De certa forma, a existência dessa diferença entre ambos é óbvia.
Afirmar que nesta sociedade
capitalista tudo tem um preço, e que muitas pessoas lhe ligam exclusivamente, deixando o valor de parte, pode ser considerada uma generalização um tanto arrojada, mas se
admitirmos que realmente acontece, e que o mundo das artes não é excepção, então
um quadro perde o seu valor e ganha um preço. No caso de uma falsificação, esta
adquire o valor da obra original, apesar de hipoteticamente não deter valor
nenhum, para além do monetário; E em contra partida a obra original apesar de deter
valor, é desvalorizada, pois é igualada em termos monetários à falsificação. É claro que um original nunca poderá ser igualado a uma cópia em termos de valor, apesar de monetariamente uma falsificação chegar a valer o mesmo que o original.
