Estando a frequentar o curso de Design de Comunicação, um dos temas que mais me deixou a pensar foi o da semiótica, mais concretamente o da arbitrariedade do signo. É dos elementos mais importantes da comunicação a que damos uso, quase sem nos questionarmos, todos os dias, seja na linguagem escrita ou gráfica.
A um significado vem-nos logo um significante à cabeça, e vice-versa. Mas porque é que é feita essa relação tão automática para nós, por mais arbitrária que seja? O que terá influenciado a maneira como hoje nos referimos a uma pessoa, objecto ou fenómeno? E como é que estas convenções terão moldado o mundo como hoje o conhecemos?
Antes de mais, tal como Saussure a caracteriza, "a língua, o mais complexo e o mais difundido dos sistemas de expressão, é também o mais característico de todos" (Ferdinand de Saussure, Curso de Linguística Geral. Lisboa: Dom Quixote). É, por isso, representante da cada cultura no mundo, distintas pelas suas características linguagens, por lhes estarem tão intrínsecas.
A nível gráfico passa-se o mesmo. Temos signos cujo significante, como por exemplo os elementos da natureza, estará visualmente relacionados com o significado (é motivado). Mas há outros conceitos, que por não se encontrarem na vertente material do signo, se tratam de uma relação arbitrária (imotivada). São disso casos os signos da ideia de alerta de perigo, de paz ou honra, que vão buscar simbologias (pomba) ou estratégias (cor vermelha) para apoiarem as mesmas.
Assim, o mais certo era perder-me numa cidade como Tóquio, cuja linguagem (escrita ou falada) nada me diz, mas poderia sempre apoiar-me em signos motivados com os quais conseguiria fazer uma leitura representacional. Aí pergunto-me se a escrita que uso será a derradeira forma de comunicação, ou se haverá maneira de a simplificar, melhorar, ou até tornar completamente universal. Eu diria que parece ser cada vez mais possível o seu desuso, num momento em que novas formas comunicar, totalmente ilustrativas, como os emojis, começam a espalhar-se pelo mundo digital, com uma leitura e uso que são praticamente os mesmos para quem quer que tenha acesso aos seus dispositivos. Também com a actual era digital, há muito maior facilidade de comunicação, mais rápida, acessível e prática, sendo que à medida que o mundo se torna cada vez numa aldeia global, também é maior a necessidade de "standartizar". E um problema que já se encontra também muito assente nesta era da globalização, numa tentativa de criar uma língua universal, é o da consequente perda das várias culturas que anularia a sua riqueza e distinção.