Eu sou alguém que, embora não jogue muitos videojogos e não tenha muita mestria quando os tente jogar, consigo apreciar o trabalho que é posto neles.
Contudo, o que não consigo apreciar de todo é o facto de que em vários videojogos, o herói normalmente está a salvar uma mulher. A minha pergunta é: porquê? Eu tenho a noção de que uma mulher pode precisar de alguma ajuda quando se toca a salvar-se de uma tartaruga com cabelo vermelho e espinhos nas costas, mas... porquê criar jogos que põem uma mulher nessa situação?
Pode se perceber claramente que estou aqui a falar do franchise extremamente popular "Super Mário". Neste franchise, a ideia central é que há uma tartaruga com espinhos chamada Bowser, que vezes e vezes sem conta chega ao reino de Toadstool e transforma todos os habitantes em objectos como tijolos, flores, colinas, árvores, nuvens entre outras coisas. Após fazer isto, rapta a princesa Peach, a única com o poder para reverter tudo o que Bowser faz. Um facto importante no meio disto tudo: a princesa é aparentemente a namorada de Mario, o nosso canalizador heróico. Logo, nunca cheguei a perceber se Mario salva a princesa porque quer que o reino volte ao normal, ou porque sabe que depois de a salvar ele pode ter a hipótese de uma sessão de beijos e um bolo.
Ora bem... algo que pode ser dito acerca deste franchise é que ele tira qualquer poder que a princesa possa ter, pois ela é raptada e forçada (por assim dizer) a esperar pelo seu herói em macacão azul. Ela podia tentar fugir, contudo não o faz. Porquê? Em outros jogos, quando uma personagem masculina é capturada, ele consegue escapar, seja com o seu intelecto ou com a sua força bruta (existem jogos onde a personagem simplesmente parte a parede da sua "prisão"). Portanto, se essas personagens masculinas conseguem escapar, porque é que a princesa nem tenta, só uma vez, nas 13 vezes em que é raptada? Será que ela não é inteligente o suficiente para o fazer? Não tem habilidade suficiente para o fazer? É isso que a Nintendo nos está a tentar dizer? Se é esse o caso, na minha opinião, os habitantes do reino já deviam ter iniciado uma revolução contra esse reinado pouco eficiente.
Voltando ao parágrafo anterior, se for concordado que Mario só salva a princesa para o benefício único dele, pode se muito bem concluir que a Nintendo assim objectiva a princessa, transformando a na propriedade de Mario, por assim dizer. Ela existe para mais nada senão servir este canalizador italiano, com beijos e bolo. Bowser retira a princesa porque é dito que a ama. Este monstro não quer saber se o sentimento é o mesmo do lado da princesa, mas ele também não quer saber. Ele também, retira a agência da princesa. Estes jogos todos parecem um jogo que o canalizador e o monstro jogam um contra o outro, onde a princesa é a bola.
No único jogo onde é o canalizador e o seu irmão que são raptados, e a princesa é a heroína incumbida de os salvar, os criadores dão lhe o excelente poder de atacar os inimigos... com as suas mudanças de humor. Se ela está zangada, tem a habilidade de incendiar os inimigos; se está triste, a oportunidade de os afogar nas suas próprias lágrimas. Na minha opinião, utilizar o estereotipo de que todas as mulheres são extremamente sentimentais não ajuda de todo a percepção que o mundo tem de mulheres. Os criadores provavelmente fizeram isto como uma brincadeira inofensiva, uma piada, pois nem lhes passava de todo pela cabeça que isto poderia ter um impacto negativo em alguém.
Em suma, os jogos do franchise "Super Mario" são divertidos de jogar, a emoção que se tem quando se salta sobre uma cova mortífera e se pisa nos inimigos deixa me a mim (pelo menos) entretida. Contudo, algo que seja divertido também pode ter várias falhas. Esta é só uma delas.