sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
Alienação fetichista
Contemplamos uma sociedade caracterizada pelas novas tecnologias, arrastada por um desejo consumista tão extremo que por vezes pode existir um vínculo maior com um determinado objecto do que com outras pessoas. Somos levados pelo fetichismo (adoração de objectos materiais), permitindo que certos produtos confiram uma valorização pessoal ao indivíduo que os possui - “Com a valorização do mundo das coisas aumenta em proporção directa a desvalorização do mundo dos homens.”, Karl Marx, 1993: 159. Somos nós mesmos, os criadores, que são transformados em mera mercadoria, trabalhando em proveito do objecto, sendo dominados pelo nosso próprio fabrico e pelo Mundo das Coisas, e esquecendo o nosso próprio Mundo (dos Homens). Com esta transformação de materiais naturais, afastamo-nos cada vez mais da Natureza, ascendendo a um mundo materialista e de cobiça. Mensagens subliminares levam-nos a acreditar que precisamos de um determinado produto, sendo apresentado e idealizado como uma forma de realização pessoal, como uma necessidade vital. A construção em massa deste produto leva a um uso “útil” da Natureza, retirando-a do seu espaço e desvalorizando-a, em prol de “instrumentos sociais”. Isto porque fomos dominados pela publicidade, e mesmo compreendendo que existe todo um mercado capitalista à nossa volta, alimentamo-lo e saciamos as nossas vontades “pessoais”, impostas por uma sociedade consumista. A alienação que nos afasta de nós mesmos e dos que nos rodeiam e nos leva a criar relações com objectos torna a Natureza cada vez mais estranha e distante do que a cultura consumista. A felicidade material leva a um desequilíbrio que nos torna capazes de trabalhar e “ganhar” dinheiro para comprar um certo produto, e ignorar as relações humanas. Chegámos a tal ponto, que uma moda e determinado produto definem a personalidade do seu proprietário. Que uma pessoa é capaz de se dirigir a um estabelecimento (como um café, restaurante, etc.) com um grupo de amigos, e passar a maior parte do tempo “colada” ao telemóvel, navegando pelo facebook, instagram, twitter, etc., em vez de conversar, e tal acção seja tida como algo normal. Somos dominados por redes (anti) sociais, transformando-nos cada vez mais em mera mercadoria, que pode ser controlada de acordo com as “necessidades” da sociedade.