terça-feira, 16 de dezembro de 2014

#1 Exaustão do indivíduo enquanto meio de "sobrevivência"

Um indivíduo, de classe média, trabalhador, com uma família para sustentar, acorda, sai para a cidade, prossegue com a sua rotina já estabelecida, vai para casa, e deita-se. Isto é o perfil comum de um cidadão pertencente à sociedade actual. 

Este mesmo indivíduo, apesar de já ter uma carreira construída no seu emprego actual, tendo aliás uma posição bastante elevada na área em que trabalha, mal tem tempo para se dedicar a uma actividade de vertente intelectual e humanística a qual o interessa e o realiza pessoalmente.
A posição que ocupa acaba por esgotar completamente o tempo que poderia aproveitar para a sua concretização pessoal, bem como esgotar completamente a sua motivação, paciência, bom-humor e energia vital.
 
O que está em causa no dilema deste indivíduo, é a posição de trabalho que ocupa para garantir o seu sustento e o da sua família e que o reduz à exaustão. O indivíduo exausto e sobrecarregado, é reduzido simplesmente ao seu acto de trabalho; perde a sua qualidade humana para dar lugar absoluto a uma qualidade de função. É um indivíduo desvalorizado das suas características humanas, para em troca poder produzir valor de trabalho.
Alienado de si mesmo, do que o torna indivíduo único e consciência própria, o indivíduo torna-se automático, um objecto com uma função e finalidade. Finalidade esta que acaba por ser a sobrevivência e sustento do indivíduo.
O indivíduo exausto é o trabalhador de certa forma considerado o mais "produtivo"; o que vive para o trabalho, para o seu sustento, em detrimento dos impulsos que o tornam ser humano.

Idealmente, o trabalho deveria ser elemento de fruição, tanto de suporte humano como de suporte financeiro. É uma condição difícil de encontrar, e de ser proporcionada sem que o acto de o trabalho absorva completamente o ser humano.
O indivíduo vive numa sociedade que apenas funciona com o fruto do trabalho dos seus cidadãos. A cidade, local onde os seres humanos procuram para poder ter uma vida estável e encontrar concretização pessoal, acaba por ser alienadora dos seus cidadãos.
Com o avanço da sua rotina e carreira de trabalho, reduz-se o indíviduo a um mero trabalhador, e não mantém a sua condição de indíviduo.

Referência de base:
> MARX, Karl, O trabalho alienado, 1993