A comercialização de imitações de obras de arte, famosas e sobretudo de grande valor, é algo comum desde que me lembro. Já pude ver a Mona Lisa de Leonardo Da Vinci e A Noite Estrelada de Vincent van Gogh algumas vezes ao vivo, apesar de nunca ter ir aos respectivos museus onde se encontram as obras originais. No entanto, não posso dizer que tive “o prazer” ou que “adorei” ver aqueles quadros, porque, na verdade, são apenas imitações, que podem estar bastante idênticos aos originais, mas sem qualquer história ou valor artístico.
De acordo com Walter Benjamin, a obra de arte sempre foi reprodutível. Na antiguidade, elementos artísticos já existentes eram reproduzidos por discentes para aprenderem ou por mestres para divulgarem as obras ou até mesmo para comercialização. Com o avançar dos séculos, a reprodutibilidade das coisas teve sempre tendência para aumentar, e foi com aparecimento da fotografia, no século XIX, que a reprodução das artes gráficas passou a ser realizada através de uma objectiva e do olho humano, não sendo mais necessário a intervenção da mão.
A fotografia permitia que todas as reproduções fossem muito mais perfeitas e próximas da
realidade do que qualquer outra imitação jamais realizada. Mas apesar de toda a
inovação que a fotografia trouxe ao mundo da arte, faltava-lhe qualquer coisa, tal como a
todas as reproduções feitas anteriormente. Ao contrário de uma peça original, que é única
por muito que haja a possibilidade de ter várias imitações, uma reprodução, que pode ser
muito bem feita, nunca terá a mesma legitimidade. É este aspecto que Walter Benjamin
esclarece com este tema.
Todas as peças originais têm algo único que as caracteriza e que não é possível ser
captado nem transmitido para mais nenhuma reprodução. Benjamin refere-se a uma aura,
algo que apenas existe nas peças originais graças ao “aqui” e “agora” ou graças à sua
autenticidade. A aura que existia nas peças desaparece assim que elas são reproduzidas,
pois não é transmissível. Por essa razão, quando alguém está perante a obra original
sente algo diferente ao estar na sua presença do que se estiver perante uma imitação
dessa mesma obra. A obra original tem algo que a outra não tem: singularidade - aura.