O conceito
pinteresco do Instagram até é engraçado não fossem as pessoas que o habitam e
enchem de lixo visual numa tentativa de demonstrar que a sua vida é
interessante porque comem sushi duas vezes por semana. Pois bem meus caros,
antigo como o sushi só mesmo a estupidez que, lá está, é infinita. A intenção é
boa, uma plataforma de partilha de fotografias de pessoas de todo o mundo até
soa interessante, o problema é que, mais uma vez, o comum mortal ignora uma
oportunidade para, ao invés, tirar selfies, aquele rasto de decadência e
futilidade que a minha geração vai deixar.
Ora, para
exemplificar este argumento basta-me abrir o Instagram e lá está, primeiro
post, uma frase inspiradora. Inspiradora como quem diz, um daqueles motes de
vida que estão em posters pirosos colocados nas paredes de teenagers ao lado de
fotografias do Justin Bieber. "Estou a estudar design", pensei eu,
"Que desperdício". De facto o Instagram podia ser muita coisa mas o
mau gosto e o amor próprio vencem sempre. Amor a si e amor às coisas, slogan
desta aplicação fantástica. Imediatamente a seguir o meu segundo favorito, “new
in” - descreve a fotografia de um pilha de roupa em cima de uma cama. Isto
leva-me a pensar na questão mais importante, não a do narcisismo e a da
futilidade inerentes a esta aplicação, mas a do consumismo e afirmação de poder
monetário que muitos decidem exaltar nesta app.
Tendo em conta
que vivemos numa sociedade capitalista e materialista, de facto, não é
surpreendente que utilizemos qualquer oportunidade para demonstrar os bens que
cada um, de acordo com o seu poder monetário, consome, caindo assim no ridículo
de utilizar uma das grandes invenções do Homem para “imortalizar” a nossa
própria existência (através das selfies) e a dos objetos que tanto adoramos.
Resta-me concluir
que o ser humano é, de facto, um ser extraordinário.