quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Envoyez-moi un Souvenir!!

Envoyez-moi un Souvenir!!


O souvenir turístico está presente na grande maioria dos museus e em outras instituições culturais, constituindo um meio de divulgação do respetivo acervos, pois em muitos casos são uma reprodução das obras de artes existentes nesses locais. Assim, surge na sociedade atual como um produto da indústria cultural, refletindo a profunda transformação que tem ocorrido na obra de arte em consequência da sua reprodutibilidade técnica e apresenta-se como um produto em que o objeto artístico deixa de ser um exclusivo de alguns, para se tornar acessível a um grande número de pessoas.
Na reprodutibilidade das obras de arte tem lugar a perda da respetiva “aura”, tal como defende Walter Benjamin em “A Obra de Arte na Era da Sua Reprodutibilidade Técnica”, dado que “mesmo na reprodução mais perfeita falta uma coisa: o aqui e agora da obra de arte – a sua existência única no lugar em que se encontra”.

No entanto, os souvenires não deixam de ser um incentivo para a visualização das obras de arte dado que promovem a sua divulgação, pois enquanto produtos de fácil acesso a todos os turistas, pretendem reproduzir as obras mais emblemáticas de determinados artistas. Permitem a ampla divulgação das obras de arte, mas não se sobrepõem às mesmas pois os turistas ao adquirirem-nas, pretendem uma lembrança daquilo que visualizaram, não substituindo a visita obrigatória àquele local para ver aquelas obras.


Tal como é referido por Walter Benjamin, a reprodução diferencia-se da obra de arte, pois enquanto nesta surgem intimamente ligados “o caráter único e a durabilidade”, naquela está presente a “fugacidade e a repetitividade”, assim, embora os souvenires turísticos se apresentem como uma forma de consumo da reprodução da obra de arte, desempenham um papel fundamental na sua divulgação.