Envoyez-moi un Souvenir!!
O souvenir turístico está presente na grande maioria
dos museus e em outras instituições culturais, constituindo um meio de
divulgação do respetivo acervos, pois em muitos casos são uma reprodução das
obras de artes existentes nesses locais. Assim, surge na sociedade atual como
um produto da indústria cultural, refletindo a profunda transformação que tem
ocorrido na obra de arte em consequência da sua reprodutibilidade técnica e
apresenta-se como um produto em que o objeto artístico deixa de ser um
exclusivo de alguns, para se tornar acessível a um grande número de pessoas.
Na reprodutibilidade das obras de arte tem lugar a
perda da respetiva “aura”, tal como defende Walter Benjamin em “A Obra de Arte
na Era da Sua Reprodutibilidade Técnica”, dado que “mesmo na reprodução mais
perfeita falta uma coisa: o aqui e agora da obra de arte – a sua existência
única no lugar em que se encontra”.
No entanto, os souvenires não deixam de ser um
incentivo para a visualização das obras de arte dado que promovem a sua
divulgação, pois enquanto produtos de fácil acesso a todos os turistas,
pretendem reproduzir as obras mais emblemáticas de determinados artistas. Permitem
a ampla divulgação das obras de arte, mas não se sobrepõem às mesmas pois os
turistas ao adquirirem-nas, pretendem uma lembrança daquilo que visualizaram,
não substituindo a visita obrigatória àquele local para ver aquelas obras.
Tal como é referido por Walter Benjamin, a
reprodução diferencia-se da obra de arte, pois enquanto nesta surgem
intimamente ligados “o caráter único e a durabilidade”, naquela está presente a
“fugacidade e a repetitividade”, assim, embora os souvenires turísticos se
apresentem como uma forma de consumo da reprodução da obra de arte, desempenham
um papel fundamental na sua divulgação.