Mostrar mensagens com a etiqueta 7531. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 7531. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Adore

Quantas vezes pensamos se o que estamos a fazer está correcto ou não? Quantas vezes nos disseram que o que estamos a dizer não faz sentido nenhum? Ou somos julgados todos os dias pelas nossas decisões ou opiniões? Apenas porque decidimos fugir um pouco às ideias da sociedade? Porque somos diferentes?

O que muitas vezes consideramos correcto, apenas o é porque é aceite na sociedade e o que nos aparenta ser errado é porque nos foi incutido pela sociedade para não ser aceite. 
Ora estes termos de aceitação ou não, de um idealismo criado por uma sociedade, estão bem explícitos no filme Adore, de Anne Fontaine. Nesta obra cinematográfica podemos observar o poder de uma ideologia, onde algo que poderia ser aceite, não o é, porque fomos educados para tal.
O filme conta a história de duas melhores amigas que crescem juntas até à idade adulta, acabando por ter filhos cada uma e os criando ao mesmo tempo. Estes filhos tornam-se, tal como as mães, melhores amigos. Até aqui, nada de especial nos conta esta história, até ao dia em que os filhos dessas melhores amigas, se apaixonam por a mãe de cada um, acabando assim por se desenrolar uma relação romântica com cada uma delas. Ora isto é, à primeira vista, completamente errado, nada ideal de uma sociedade que nunca propôs este interesse individual como um interesse colectivo. Para nós, o nosso melhor amigo viver uma relação amorosa com a nossa mãe, é completamente disfuncional, ou até mesmo nós com a mãe do nosso melhor amigo. É-nos mostrado que o que uma sociedade estipula de certo ou errado, as suas ideologias, traçadas por alguém, traçam toda uma perspectiva do que achamos correcto ou impraticável. Talvez porque nunca foi do interesse da sociedade dar-nos esta perspectiva, ou porque as classes superiores pensam que de certa forma é errado, o que é de interesse colectivo é achar que tal relação é errada e até no filme conseguimos ver isso nas personagens que vêem de fora esta situação, tal como o público .

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Arte Sobre o Nunca Visto



Com o aparecimento de novos meios de reprodução, como o cinema e a fotografia, a mão do artista é substituída pelo olho e pela máquina. Com a expansão dos novos média, a obra de arte sofreu uma também expansão e de certa maneira o seu valor altera-se consoante a pessoa, ou o meio. A arte já não possui um valor estável e muitas vezes as pessoas não conseguem distinguir ou verificar o que é uma obra de arte. Como Walter Benjamim explica, em consequência desta expansão, acontece uma deterioração da “aura”, ligada ao aqui e agora da obra de arte, perdendo-se assim a autenticidade ou singularidade e o seu valor culto que também muda drasticamente.

Um caso interessante é a galeria Hayward, em Londres, que no passado ano de 2012, apresentou uma exposição de arte invisível. No interior da galeria encontrava-se apenas paredes com quadros em branco, pedestais sem estátuas ou salas vazias, acompanhadas com legendas explicativas. A exposição, chamada de Invisível: Arte Sobre o Nunca Visto’, continha obras de artistas como Andy Warhol, Robert Barry ou Chris Burden e pretendia fazer um histórico da arte invisível desde 1957 até ao presente. Em certos casos, havia também obras mais explicativas, como as instruções escritas que Yoko Ono deixava para as pessoas. Num caso, convida-se o visitante a abrir uma tela entre a uma hora da manhã e o nascer do sol e, quando esta ficar rosa [do amanhecer], dobrá-la ou enterrá-la.


Neste cenário a reacção das massas é alterada em relação à arte e abrem-se também as portas para o valor de exposição, onde o fundamental é distribuir cópias e facturar com a distribuição da arte. A obra passa a ser acessível a todos, passa a ser para todos.
A questão agora impõe-se será isto uma exposição, recheada de obras de arte? Ou será apenas uma maneira de fazer dinheiro?