Ao observar a minha irmã mais nova a fazer os seus trabalhos de casa de Matemática, lembrei-me de um dos princípios da linguagem determinados por Ferdinand Saussure, nomeadamente, a arbitrariedade do signo. Isto porque os nomes dados aos números que conhecemos – os significantes – nada têm a ver com o que estes mesmos representam – os significados. No caso da palavra “quatro”, por exemplo, esta não corresponde obrigatoriamente à ideia de 4 elementos, pelo que é o ser humano quem estabelece a ligação entre a ideia e a palavra de modo a conseguir comunicar. E tão frágil e arbitrária é essa ligação que, embora o número 4 (signo) seja universal e facilmente compreendido por qualquer pessoa do mundo, o nome (significante) que lhe é atribuído varia consoante o país em que cada um esteja, já que a palavra utilizada para o designar se altera.
Assim sendo, é necessário conhecer estas relações já estabelecidas, pelo que as crianças começam desde cedo a aprender os números, os nomes que lhes são atribuídos e as relações entre eles, para que possam depois comunicar com as pessoas da sociedade onde se inserem. Esta aprendizagem é arbitrária e tão natural que, já crescidos, não se questionam “porque é que o número 4 se chama quatro e não outra coisa” mas aceitam-no porque assim o aprenderam.