Ligamos o botão da “caixa mágica” e logo começa o espetáculo dominador e controlador. Se repararmos bem, a grande fatia da produção noticiosa é composta por notícias de carácter político, económico e religioso, resultado do fator mais importante para esta indústria, o fator económico. O que importa são as audiências e o lucro e para isso as notícias tratam-se do “que o povo quer”, do “espetáculo da sociedade”, nem que isto implique repetir a mesma “notícia” vezes e vezes sem conta até à exaustão.
O que não se diz é que o terreno no qual a técnica conquista seu poder sobre a sociedade é o poder que os economicamente mais fortes exercem sobre a sociedade. (Adorno e Horkheimer, 2009, p.1)
Podemos então assumir que: Cada qual é um modelo da gigantesca maquinaria económica que, desde o início, não dá folga a ninguém. (Adorno e Horkheimer, 2009, p.4)
Tudo não passa de uma mensagem codificada, que deve comunicada de forma a dominar a nossa mente sem nos apercebermos disso, através do tratamento da realidade observada reduzindo-a à mensagem que interessa ser transmitida pelas cadeias televisivas.
O espectador não deve ter necessidade de nenhum pensamento próprio, o produto prescreve toda a reação. (Adorno e Horkheimer, 2009, p.7)
Quantas vezes ligamos a televisão e assistimos a notícias de carácter artístico, ou a notícias que realmente tragam algum ânimo ao nosso dia-a-dia? São poucas as vezes, pois as noticias repetidas sobre os políticos e todas as chachadas em volta deles aumentam claramente o nosso nível cultural, porque mostrar os idosos lá da terrinha a dizerem que o assassino até era boa pessoa e que lhe davam de comer quando este andava em fuga é claramente o que interessa quando a notícia inicial se tratava de vidas ceifadas; espetáculo ao povo é o que se quer, “vender” algo até a exaustão dominando até as conversas que ouvimos entre as pessoas logo que saímos à rua é realmente o que melhora a nossa sociedade. Uma sociedade dominada por reality shows sem escrúpulos, noticias sobre políticos que apenas revelam o que importa para atingir audiências, noticias repetidas à anos e anos sobre a suposta crise que nada tem a ver com interesses maiores e sobre a religião, a qual obviamente apenas visa ao bem-estar dos crentes e não em curva-los perante mensagens que agradam ser incutidas dissimuladamente para que a sociedade funcione e se comporte da maneira que a industria e os grupos poderosos económicos querem, da maneira que dá lucro.
Desde há décadas, até mais, que a televisão não é propriamente sinonimo de informar mas sim de dominar, agora eu pergunto-me, quanto teremos acesso a noticias realmente verdadeiras e de jeito?
Desde há décadas, até mais, que a televisão não é propriamente sinonimo de informar mas sim de dominar, agora eu pergunto-me, quanto teremos acesso a noticias realmente verdadeiras e de jeito?

