terça-feira, 6 de janeiro de 2015

O débito e o crédito, que não temos

Antes de mais é necessário esclarecer aquele erro comum à maioria da população (como muitos outros). Meus caros, vocês não possuem um cartão de crédito mas sim de débito e agradeçam por isso. A diferença gramatical é relativa, embora óbvia, a real, no entanto, é bastante preocupante.
O cartão de débito permite a compra de determinados produtos em função dos fundos que o seu portador possui, assim, como o nome indica, consiste no débito do valor da compra diretamente na conta corrente ou poupança do possuidor do cartão. Desta forma, aquele que deseja obter um produto  só o obtém caso tenha saldo para isso.
O cartão de crédito, por outro lado, é geralmente utilizado como meio de pagamento de bens ou da contratação de serviços, sendo o valor dessas mesmas compras cobrado no final do mês ao seu titular que, por sua vez, pode escolher pagar o valor total ou parcial que lhe é apresentado sob a cobrança de juros.

Pois bem, tecnicismos à parte, tudo isto consiste, muito resumidamente, na cobrança mensal, ou não, de pequenos empréstimos. Reparem que o individuo que possui um cartão de crédito ou é alguém que, de facto, tem a capacidade monetária para o ter ou, noutros casos, alguém que gosta de roçar o limiar da pobreza sem que ninguém o saiba. Este segundo sujeito, na minha opinião incapacitado de qualquer tipo de consciência, é o que gosta de “brincar” com o dinheiro que não tem, caindo num novo tipo de consumismo, o frenético, avassalador, sugando as novas tendências e tudo um pouco porque, lá está, abaixo da pobreza nada existe. Só a morte que provavelmente é menos incómoda para o sujeito que falece do que para quem o rodeia.