Quem nunca desejou estar num sítio diferente, ter um emprego diferente, ter um carro diferente, chegar ao extremo de querer ter uma vida diferente?
Penso que é ponto assente que o ser Humano é um ser ambicioso, caso contrário não haveria lugar para a evolução, e para o progresso das ciências, das artes, do Homem, e do mundo.De facto estas duas ideias surgem com uma forte conexão, por exemplo, se pensarmos num sujeito que arranjou o seu 1º emprego, muito provavelmente ele espera que este seja o seu lançamento no mercado de trabalho e que ao longo da vida consiga vir a subir na hierarquia daquela ou de qualquer outra empresa, mais que não seja devido às implicações salariais que essa mudança traria para si. Um dia desejará ter um carro melhor, uma casa sua, e até construir uma família. Repare-se que todas estas coisas enunciadas são desejos, e o desejo é a ambição a manifestar-se no homem, a vontade de progresso e de ter aquilo que (ainda) não tem, e inclusivamente ser aquilo que (ainda) não é.
Por outras palavras, vivemos constantemente a pensar naquilo que está in absentia e desprezamos o que está in praesentia, o que não deixa de ser estranho por que no fundo é a nossa vida, usando a ideia de paradigma e sintagma de Saussure, podemos concluir que a nossa vida é uma linha sintagmática de acontecimentos que se sucedem continuamente e o paradigma são as nossas escolhas imediatamente antes de as tomarmos, ou seja os nossos desejos e ainda assim somos repetidamente capazes de tentarmos tomar a vida de outro, digo outro porque simplesmente não é a nossa, talvez por sermos capazes de sonhar e de imaginar, mais facilmente deambulamos pelo mundo e pensamos ou trabalhamos para que um dia sejamos nós a viajar pelo mundo, a termos aquele trabalho que tanto queremos, a família perfeita que projectámos, e o carro topo de gama que nos satisfará, até lá nada disto nos pertence mas reconforta-nos o facto de nos conseguirmos imaginar nessa posição.
Concluindo, penso que por vezes deveríamos dar mais valor aquilo que temos aqui e agora (in praesentia), aproveitar a vida e tirar o máximo de cada pequeno pormenor que o mundo nos oferece, não querendo dizer de maneira alguma que se deve desprezar a ambição que nos move, todos nós somos movidos a sonhos, oxalá também eu pudesse ser tudo de todas as formas e em todo o lado.