quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica

Hoje em dia temos acesso a quase tudo. Para “vermos” uma obra de arte já não temos necessariamente que nos deslocar até ela, basta-nos procurar pelo nome da mesma no google, aparecem logo mil e uma imagens. Mas o que distingue estas últimas da obra original?

As peças originais têm uma aura, são autenticas. Walter Benjamin, no seu ensaio A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica, define o conceito de aura como uma figura singular, composta de elementos espaciais e temporais: a aparição única de uma coisa distante, por mais perto que esteja. No entanto quando estamos perante uma reprodução de uma obra de arte, esta aura desaparece. A obra de arte sempre foi reprodutível pelo homem, mas com a evolução tecnológica e a introdução de processos como, primeiramente, a xilogravura, seguindo-se da impressão, litografia e fotografia, este processo torna-se muito mais fácil e rápido. Assim, a noção de arte mudou completamente. O trabalho minucioso dos artistas é então substituído pela rapidez das máquinas e a arte passa a ser produzida para as massas. 

As constantes reproduções de uma obra como por exemplo Mona Lisa, diminuem parcialmente a sua aura, mas não a anulam, esta continua presente na versão original. Assim esta célebre obra de Leonardo da Vinci, que se encontra no museu Louvre em Paris, continua a atrair milhares de pessoas diariamente a deslocarem-se ao local para a observar, na sua singularidade e autenticidade. O prazer estético aqui é inúmeras vezes superior à sensação que o espectador teria ao ver uma fotografia da mesma obra no seu ecrã de computador, num panfleto, ou mesmo numa reprodução impecável da mesma.