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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Padronização de Bens

Hoje em dia, se entrarmos num hipermercado, vemos que cada secção está subdividida em subsecções, que se associam a um produto em geral, mas se representam como um completamente diferente.
Esta variedade e diversidade de produtos é considerada, por muitos, beneficiária do mercado e do consumidor.
Contudo, na obra “Indústria Cultural” de Adorno e Horkheimer são abordadas questões que levantam dúvidas sobre esses “benefícios”.
Na verdade, para Adorno, o facto de a nossa sociedade ser regida pela lei do mercado, fez com que nós nos esquecêssemos dos valores humanos em troca de poder económico. Queremos tanto atingi-lo que acabamos por criar uma individualidade que carece assim dos valores humanos, sobrevalorizando o capitalismo.
O Homem perde a autonomia, transformando-se num mero instrumento de trabalho e consumo e tudo o que ele fará será consoante a ideologia dominante. Ele não pensará na sua escolha, pois automaticamente já está direcionado para a mesma.
O mercado trata o consumidor como um objecto que consome objectos. Isto é, são feitos inúmeros estudos nos mercados para saber as grandes áreas em que há mais consumidores, como se eles não passassem de um mero “mapa”.
Os bens são padronizados para a satisfação de necessidades iguais, as distinções são acentuadas, assim como a hierarquia de qualidades.
Na realidade, até o consumidor já está padronizado e segmentado a certo produtos. Nós compramos automaticamente aqueles que achamos que é para nós.
A segmentação mais distinta dos produtos é entre o géneros: feminino e masculino, como por exemplo nos champôs.
Mas esta separação e distinção não passa só por aí, temos ainda a separação por tipos de cabelo e ainda por marcas (qualidade).
Nós, como consumidores, estamos automatizados, no âmbito da cultura industrial, a escolher automaticamente o produto ideal para nós e consoante as nossas posses.
Uma mulher com os cabelos pintadas, deverá escolher um champô para cabelos pintados e também irá ter em conta a qualidade do mesmo (marca), consoante a quantia que poderá gastar.
O consumidor está tão direcionado que se calhar, até haverá um produto que será melhor para ele, mas ele não dará conta, o consumidor já nem pensa por ele mesmo.
O consumidor é resumido a estatísticas e mapas de consumo, que são levados a cabo por estudos no mercado.

Levando a pensar que nós somos objectos dos bens que compramos e produzimos, criando uma alienação de nós mesmos, revendo a nossa função neste mercado e sociedade capitalista.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A obra de Arte

No livro “A Obra de Arte na Era da Sua Reprodutibilidade Técnica”, Walter Benjamin define alguns conceitos intrínsecos à obra de arte. 
Ele refere que a obra de arte, na sua essência, sempre foi reprodutível, através de homens que as mimetizavam e de outros meios técnicos. Contudo, nessas obras reproduzidas, faltava a autenticidade, o aqui e agora, que a obra original possui. Por essa razão, essas reproduções não são consideradas como uma obra de arte, pois não tem o mesmo contexto, nem está inserida na tradição da original. 
Por essa razão, o aqui e o agora representam a sua existência única e o lugar onde ela se encontra. Como por exemplo a obra “Guernica" de Pablo Picasso que se encontra no “Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia”. Estes princípios representam a autenticidade da obra de arte, visto que a obra original preserva a história e a tradição da mesma. 
Assim sendo, a obra de arte contém uma aura, que ao ser reproduzida é constantemente destruída, visto que o aqui e o agora, vai perdendo o seu significado, pois não precisamos deslocar-nos ao sítio para conhecermos a obra. Por outro lado, se nós virmos uma reprodução da Guernica, sabemos que não é a obra original, pois temos referente ao mesmo, que se encontra no “Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia”, por isso a aura da mesma não se perde na totalidade.
O mesmo, não acontece no que se relaciona às novas formas de produzir arte, como o cinema e a fotografia, pois estes não têm um referente original, que se encontra apenas num sítio específico e quanto mais são reproduzidas, mais se perde a aura da mesma. 
Um dos movimentos que aniquila a aura da obra de arte é o Dadaísmo, ao terem o intuito de anular qualquer utilização contemplativa, através da desvalorização sistemática do seu material.
Um exemplo Dadaísta é a “Fonte” de Marcel Duchamp em 1917. Com esta e outras obras, ele introduziu o conceito de readymade, que é a utilização de um objecto que se usa no quotidiano, que a princípio não é reconhecido como artístico, mas que é transportado para objecto artístico. E exibidos como tal sem qualquer intervenção no mesmo, ou seja, como ele saía da fábrica era como ia para o museu.
Embora isto tenha um conceito “crítico” por base, anula completamente o conceito de Walter Benjamin de obra de arte, visto que, o objecto artístico provém da reprodução a nível industrial e não do trabalho manual do artista.
Aliás, na verdade, o objecto original produzido por J. L. Motta Iron Works Company, não chegou a ser exibido, sendo que permaneceu “in absentia” até os anos 1940, quando Duchamp começou a fazer réplicas dela para vários museus. 
Por esta razão, esta obra artística não tem a autenticidade, nem a aura que Walter Benjamin refere, visto que, a referência que temos hoje em dia não se trata da original, porque ela como objecto artístico não chegou a existir, e as que vemos hoje em dia são réplicas, não há nenhuma única, que tenha o aqui e agora. 

Será que hoje em dia existem obras de arte, ou apenas objectos artísticos?