terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A obra de Arte

No livro “A Obra de Arte na Era da Sua Reprodutibilidade Técnica”, Walter Benjamin define alguns conceitos intrínsecos à obra de arte. 
Ele refere que a obra de arte, na sua essência, sempre foi reprodutível, através de homens que as mimetizavam e de outros meios técnicos. Contudo, nessas obras reproduzidas, faltava a autenticidade, o aqui e agora, que a obra original possui. Por essa razão, essas reproduções não são consideradas como uma obra de arte, pois não tem o mesmo contexto, nem está inserida na tradição da original. 
Por essa razão, o aqui e o agora representam a sua existência única e o lugar onde ela se encontra. Como por exemplo a obra “Guernica" de Pablo Picasso que se encontra no “Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia”. Estes princípios representam a autenticidade da obra de arte, visto que a obra original preserva a história e a tradição da mesma. 
Assim sendo, a obra de arte contém uma aura, que ao ser reproduzida é constantemente destruída, visto que o aqui e o agora, vai perdendo o seu significado, pois não precisamos deslocar-nos ao sítio para conhecermos a obra. Por outro lado, se nós virmos uma reprodução da Guernica, sabemos que não é a obra original, pois temos referente ao mesmo, que se encontra no “Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia”, por isso a aura da mesma não se perde na totalidade.
O mesmo, não acontece no que se relaciona às novas formas de produzir arte, como o cinema e a fotografia, pois estes não têm um referente original, que se encontra apenas num sítio específico e quanto mais são reproduzidas, mais se perde a aura da mesma. 
Um dos movimentos que aniquila a aura da obra de arte é o Dadaísmo, ao terem o intuito de anular qualquer utilização contemplativa, através da desvalorização sistemática do seu material.
Um exemplo Dadaísta é a “Fonte” de Marcel Duchamp em 1917. Com esta e outras obras, ele introduziu o conceito de readymade, que é a utilização de um objecto que se usa no quotidiano, que a princípio não é reconhecido como artístico, mas que é transportado para objecto artístico. E exibidos como tal sem qualquer intervenção no mesmo, ou seja, como ele saía da fábrica era como ia para o museu.
Embora isto tenha um conceito “crítico” por base, anula completamente o conceito de Walter Benjamin de obra de arte, visto que, o objecto artístico provém da reprodução a nível industrial e não do trabalho manual do artista.
Aliás, na verdade, o objecto original produzido por J. L. Motta Iron Works Company, não chegou a ser exibido, sendo que permaneceu “in absentia” até os anos 1940, quando Duchamp começou a fazer réplicas dela para vários museus. 
Por esta razão, esta obra artística não tem a autenticidade, nem a aura que Walter Benjamin refere, visto que, a referência que temos hoje em dia não se trata da original, porque ela como objecto artístico não chegou a existir, e as que vemos hoje em dia são réplicas, não há nenhuma única, que tenha o aqui e agora. 

Será que hoje em dia existem obras de arte, ou apenas objectos artísticos?