Mostrar mensagens com a etiqueta 8230. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 8230. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

A caixa limitadora



Ligamos o botão da “caixa mágica” e logo começa o espetáculo dominador e controlador. Se repararmos bem, a grande fatia da produção noticiosa é composta por notícias de carácter político, económico e religioso, resultado do fator mais importante para esta indústria, o fator económico. O que importa são as audiências e o lucro e para isso as notícias tratam-se do “que o povo quer”, do “espetáculo da sociedade”, nem que isto implique repetir a mesma “notícia” vezes e vezes sem conta até à exaustão.

O que não se diz é que o terreno no qual a técnica conquista seu poder sobre a sociedade é o poder que os economicamente mais fortes exercem sobre a sociedade. (Adorno e Horkheimer, 2009, p.1)

Podemos então assumir que: Cada qual é um modelo da gigantesca maquinaria económica que, desde o início, não dá folga a ninguém. (Adorno e Horkheimer, 2009, p.4)

Tudo não passa de uma mensagem codificada, que deve comunicada de forma a dominar a nossa mente sem nos apercebermos disso, através do tratamento da realidade observada reduzindo-a à mensagem que interessa ser transmitida pelas cadeias televisivas.

O espectador não deve ter necessidade de nenhum pensamento próprio, o produto prescreve toda a reação. (Adorno e Horkheimer, 2009, p.7)

Quantas vezes ligamos a televisão e assistimos a notícias de carácter artístico, ou a notícias que realmente tragam algum ânimo ao nosso dia-a-dia? São poucas as vezes, pois as noticias repetidas sobre os políticos e todas as chachadas em volta deles aumentam claramente o nosso nível cultural, porque mostrar os idosos lá da terrinha a dizerem que o assassino até era boa pessoa e que lhe davam de comer quando este andava em fuga é claramente o que interessa quando a notícia inicial se tratava de vidas ceifadas; espetáculo ao povo é o que se quer, “vender” algo até a exaustão dominando até as conversas que ouvimos entre as pessoas logo que saímos à rua é realmente o que melhora a nossa sociedade. Uma sociedade dominada por reality shows sem escrúpulos, noticias sobre políticos que apenas revelam o que importa para atingir audiências, noticias repetidas à anos e anos sobre a suposta crise que nada tem a ver com interesses maiores e sobre a religião, a qual obviamente apenas visa ao bem-estar dos crentes e não em curva-los perante mensagens que agradam ser incutidas dissimuladamente para que a sociedade funcione e se comporte da maneira que a industria e os grupos poderosos económicos querem, da maneira que dá lucro.

Desde há décadas, até mais, que a televisão não é propriamente sinonimo de informar mas sim de dominar, agora eu pergunto-me, quanto teremos acesso a noticias realmente verdadeiras e de jeito?

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A sociedade das Barbies



Nos dias de hoje é praticamente impossível fugir aos padrões de beleza impostos pela publicidade, indústria da moda e pelo próprio ser humano para com os outros da sua espécie. Uma sociedade onde ter uns “quilinhos” a mais já é razão para sermos alvos de críticas e até abusos psicológicos e verbais, onde o excesso de magreza e a juventude são uma condição obrigatória para sermos considerados bonitos, saudáveis e “fashions”.

Desde crianças é-nos incutida a ideia de que para sermos bonitos temos obrigatoriamente de nos assemelharmos a uma Barbie e a um Ken, altos, magros, de figura esbelta, com bocas salientes, narizes pequenos, etc. As próprias crianças começam, desde cedo, a discriminar quem aparente ser diferente desse género praticando o bullying. O ser humano vive tão obcecado com a ideia de ser perfeito que chega a recorrer frequentemente às cirurgias plásticas como salvação para a sua autoestima; vemos adolescentes a colocar implantes mamários, jovens a fazer rinoplastias e adultos a injetarem botox até níveis extremos só porque lhes é impossível conviver com a ideia do envelhecimento.

Segundo Marx, um objeto natural ao sofrer a ação do homem torna-se mercadoria (João Queiroz, 2006, comunicação pessoal, 3 de Abril). Não podemos então considerar o corpo humano como sendo esse objeto?´

Este objeto parece-nos pertencer à Natureza, mas não pertence de facto. É mercadoria. Disfarça-se aos nossos olhos de natureza mas não o é. A esse processo chama-se fetichização. Fetichização é, portanto, a devolução da mercadoria ao mundo das coisas (natureza), com um valor que lhe foi acrescentado. (João Queiroz, 2006, comunicação pessoal, 3 de Abril).

O resultado das cirurgias plásticas é a chamada “mais-valia”, o que foi adicionado ao objeto, neste caso ao corpo humano, o qual foi modificado em relação ao que era antes; esta mais-valia, ao contrário de um objeto em si que é trocado por dinheiro ou mercadoria, é trocada por aceitação social. O corpo humano é tratado como uma mercadoria igual à que se vende nas prateleiras de um supermercado, onde a medicina constitui o “buraco negro” capaz de sugar todas as nossas imperfeições naturais, numa sociedade onde o importante é nos afirmarmos perante a nossa comunidade, corrigirmos essas imperfeições que nos fazem menos felizes porque a publicidade assim o diz e estarmos dentro do padrão considerando “perfeito”. Esta nova necessidade põe à prova o nosso ser como indivíduo genuíno, original e conduz, de certa forma, à desconsideração dos supostos valores mais importantes do ser humano quando agimos em comportamentos obsessivo-compulsivos tornando o nosso corpo, algo que era natural, numa simples e fútil mercadoria.

É de facto, importante refletirmos sobre isto e pensarmos por nós mesmos e não por um padrão que nos é imposto massivamente, é necessário nos sentirmos bem como somos para sermos mais felizes não deixando de ser genuínos e diferentes perante uma sociedade já por si tão uniforme e enxurrada de mercadoria, a qual conduz à destruição do ser humano e do seu corpo como sendo único e natural.