Hoje os produtos culturais ganham uma linearidade sobre o consumidor.
Uma nova forma objetiva de focar e paralisar sentido de pensamento. Hoje, o
espectador ingenuamente guia-se pela sequência de imagens e sons, que nem o
deixam passar pelo intervalo da imaginação nem na sua própria reflexão. Os consumidores
estão “presos” a uma informação visual que corre nos nossos olhos, sem se
aperceber que esse mesmo conteúdo tenha algum ou nenhum enriquecimento
intelectual. Apenas tem no sentido da sua própria constituição objetiva. Ou
seja, a maioria das massas quase que retém um interior do conteúdo “inculcado”,
não existindo recorrência à imaginação ou compreensão da mensagem. O cinema
hoje é uma vítima desse tipo, é um sector cultural que está preso e absorve o “dom
de observação”, que impede desta maneira existir qualquer tipo de “atividade
intelectual do observador”. As massas tão envolvidas que estão nesse universo
artificial, elas nem precisam de observar os “efeitos particulares” da própria
realização do filme, porque elas próprias estão habituadas e familiarizadas com
os vários pontos de atenção de um enredo comum. Portanto, para os consumidores
já é comum este género de desempenho exigidos pela atenção do conteúdo ao
público. Apesar desta problemática, os clássicos cinematográficos que
permaneceram na história, quebram esta geração de filmes, que partem para “a
violência da sociedade industrial instalou-se nos homens”. Não é o caso do
filme 2001: Odisseia no Espaço de
Stanley Kubrick de 1968 que nos deixa a divagar e a refletir sobre pontos que
são importantes no que toca ao conhecimento e ao desenvolvimento de nós seres
humanos. Abre-nos o pensamento para além da observação. A mensagem do
realizador não é suficiente para especular o nosso pensamento. Ele ramifica-se
ao longo do filme, o nosso psicológico transporta-nos para uma contemplação através
da sua banda sonoro, porque o facto de quase nem existir diálogo, o poder do
filme passa à imagem visual, ou seja, à grande importância da reflexão.