terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Hoje o cinema é uma vítima



Hoje os produtos culturais ganham uma linearidade sobre o consumidor. Uma nova forma objetiva de focar e paralisar sentido de pensamento. Hoje, o espectador ingenuamente guia-se pela sequência de imagens e sons, que nem o deixam passar pelo intervalo da imaginação nem na sua própria reflexão. Os consumidores estão “presos” a uma informação visual que corre nos nossos olhos, sem se aperceber que esse mesmo conteúdo tenha algum ou nenhum enriquecimento intelectual. Apenas tem no sentido da sua própria constituição objetiva. Ou seja, a maioria das massas quase que retém um interior do conteúdo “inculcado”, não existindo recorrência à imaginação ou compreensão da mensagem. O cinema hoje é uma vítima desse tipo, é um sector cultural que está preso e absorve o “dom de observação”, que impede desta maneira existir qualquer tipo de “atividade intelectual do observador”. As massas tão envolvidas que estão nesse universo artificial, elas nem precisam de observar os “efeitos particulares” da própria realização do filme, porque elas próprias estão habituadas e familiarizadas com os vários pontos de atenção de um enredo comum. Portanto, para os consumidores já é comum este género de desempenho exigidos pela atenção do conteúdo ao público. Apesar desta problemática, os clássicos cinematográficos que permaneceram na história, quebram esta geração de filmes, que partem para “a violência da sociedade industrial instalou-se nos homens”. Não é o caso do filme 2001: Odisseia no Espaço de Stanley Kubrick de 1968 que nos deixa a divagar e a refletir sobre pontos que são importantes no que toca ao conhecimento e ao desenvolvimento de nós seres humanos. Abre-nos o pensamento para além da observação. A mensagem do realizador não é suficiente para especular o nosso pensamento. Ele ramifica-se ao longo do filme, o nosso psicológico transporta-nos para uma contemplação através da sua banda sonoro, porque o facto de quase nem existir diálogo, o poder do filme passa à imagem visual, ou seja, à grande importância da reflexão.