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domingo, 14 de dezembro de 2014

O mundo actual será composto maioritariamente por uma sociedade voyeurista?


      O mundo actual será composto maioritariamente por uma sociedade voyeurista?


       Hoje em dia somos confrontados diariamente com inúmeros programas televisivos, que contém somente o intuito de entreter o telespectador. A grelha televisiva é composta maioritariamente de reality shows, em que o espectador assiste em direto a todas as acções do quotidiano dos diversos concorrentes que se encontram fechados, durante meses numa casa. 
             O mais interessante é que apesar destes programas não conterem um valor cultural, são aqueles que têm um maior número de audiências.
O que torna tão fascinante um reality show que grava e acompanha diretamente os concorrentes como se da sua sombra se trata-se?
Como resposta, podemos enquadrar as teorias de Mulvey, presentes no texto “O prazer Visual e o Cinema Narrativo”, em que apesar de se focar essencialmente na vertente cinematográfica há uma relação que se pode transportar para os meios televisivos, neste caso o tipo de programa anteriormente referido.
À primeira vista o reality show pode parecer estar distante de uma observação camuflada de “vítimas” involuntárias e desprevenidas, mas as convenções nas quais se envolveu conscientemente retratam um mundo hermeticamente fechado a desenrolar-se “magicamente”, no qual é indiferente à presença dos espetadores, produzindo neles um sentido de separação, jogando com a sua fantasia voyer.

(Voyeurismo trata-se de uma patologia que consiste na obtenção de prazer sexual pela observação dissimulada de cenas de cariz íntimo ou erótico, ou de uma curiosidade patológica por tudo o que é privado ou íntimo.)

         Desta forma, há uma satisfação primitiva de um desejo pelo olhar, que centra a atenção do telespectador curioso. Assim, a curiosidade e a vontade de olhar misturam-se com o fascínio pela parecença e pelo reconhecimento da relação do ser humano com o que o rodeia, isto é, a presença visível da pessoa no mundo.   

           Podemos concluir que o voyeurismo é uma prática que se alastra não só em termos televisivos, cinematográficos como também diverge para outros sectores. A crescente popularidade das redes sociais transportam o espectador voyeurista para um local mais privado, ou seja, no conforto das suas casas. Através destes meios podemos ser observadores, com interesse nas diferentes pessoas expostas, as quais desempenham funções do quotidiano como: tomar banho, trocar de roupa, comer, entre outras actividades, sempre em constante vigilância. Podemos ainda constatar e observar a interacção do homem com a mulher por fetiche, seja esta por interacção de intriga, briga ou violência, como também por interacção de carácter sexual ou amoroso.
O observador indirectamente identifica-se com os  participantes, bem como comparar-se às pessoas observadas.
                Todos estes fatores levam os espectadores a sentirem-se na “pele”, isto é, a identificarem-se  com os observados,  onde consequentemente acabam por colocar-se no lugar dos participantes. Todo este processo evidência que existe uma comparação da sua auto-imagem com a imagem dos observados, acabando por fim por se constatar no número elevadíssimo de audiências

sábado, 6 de dezembro de 2014

Reflexão acerca da Linguagem.

“- Bom dia!”, “-Desculpe!”, “- Deseja alguma coisa?”, “- Até amanhã!”, “- Boa noite”.

Todos nós, desde o início ao final do dia, 24horas, 365 dias do ano, até mesmo no nosso último folgo, somos confrontados com a linguagem verbal. Esta está tão presente na nossa vida quotidiana que acabamos por não nos apercebermos da sua presença, acabando por banalizar algo que, de certa forma, está agregado a nós desde que somos gerados.

Desta forma, a linguagem é a mais importante “tecnologia” já existente na sociedade, sendo algo que contribuí a cada instante no processo social. A linguagem existe desde o primórdio da humanidade, que já a utilizava de diversas formas, como a pintura e gestos.
Algo tão simples, mas tão complexo como a linguagem é algo que inquietou e ainda inquieta cientistas, filósofos… levando-os a estudar esta “arte” da comunicação.

Uma dessas pessoas foi Ferdinand de Saussure, um linguista e filósofo suíço cuja elaboração teórica acerca da linguagem, proporcionou o desenvolvimento da linguística enquanto ciência autónoma.
Saussure definiu novos critérios e conceções à linguagem, simplificando e desmistificando esta temática, dando a conhecer a simplicidade englobada na sua complexidade. Considera assim que a linguagem é social e individual, sendo uma fusão de língua e fala, onde a língua corresponde à parte essencial da linguagem e o individuo sozinho, não a pode criar nem modificar.
Ao lermos os seus textos, podemos refletir sobre a complexidade de algo que nos pertence, que nos cria individualidade e culturalmente.
Deste modo, focar-nos-emos no conceito de Saussure onde este apresenta a língua na sua redução essencial, isto é, o estudo segundo uma sistematização simplificada. Saussure reduz a língua a elementos mais simples, os signos. Onde cada signo corresponde a uma palavra. Assim, os signos desdobram-se em duas realidades opostas: o significado e o significante, que se complementam mutuamente.
O significado é tudo o que pensamos e vimos quando vemos\ouvimos a palavra, sendo algo apreendido de geração em geração, derivando também culturalmente de cada individuo (tem um valor arbitrário). Enquanto que o significante se trata da expressão material do significado, como por exemplo o som que nos chega aos ouvidos da palavra em si. Isto é, se um indivíduo ouvir a palavra árvore (palavra árvore = significante), automaticamente este pensará num esquema de árvore (esquema de qualquer árvore = significado). Assim, o significante, terá um valor linear, uma vez que um discurso tem de ter uma terminada coerência onde as palavras têm uma sequência lógica entre elas. Com isto, existe uma obrigação na linearidade do significante para a compreensão da linguagem verbal.

Apesar dos vários estudos realizados por Saussure, podemos constatar através do pouco que foi apresentado anteriormente, que a linguagem é muito mais do que aquilo que aparenta, uma vez que esta é realizada através de vários processos que não só englobam a linguística, como também a psicologia, neuropsicologia, metrocidade humana... A sua complexidade é nos apresentada de uma forma tão simplificada que o ser humano acaba por não ter noção da realidade desta na sua vida quotidiana…
Será que o ser humano arranjaria maneira de substituir esta principal forma de comunicação?