Quantas vezes pensamos se o que estamos a fazer está correcto ou não? Quantas vezes nos disseram que o que estamos a dizer não faz sentido nenhum? Ou somos julgados todos os dias pelas nossas decisões ou opiniões? Apenas porque decidimos fugir um pouco às ideias da sociedade? Porque somos diferentes?
O que muitas vezes consideramos correcto, apenas o é porque é aceite na sociedade e o que nos aparenta ser errado é porque nos foi incutido pela sociedade para não ser aceite.
Ora estes termos de aceitação ou não, de um idealismo criado por uma sociedade, estão bem explícitos no filme Adore, de Anne Fontaine. Nesta obra cinematográfica podemos observar o poder de uma ideologia, onde algo que poderia ser aceite, não o é, porque fomos educados para tal.
O filme conta a história de duas melhores amigas que crescem juntas até à idade adulta, acabando por ter filhos cada uma e os criando ao mesmo tempo. Estes filhos tornam-se, tal como as mães, melhores amigos. Até aqui, nada de especial nos conta esta história, até ao dia em que os filhos dessas melhores amigas, se apaixonam por a mãe de cada um, acabando assim por se desenrolar uma relação romântica com cada uma delas. Ora isto é, à primeira vista, completamente errado, nada ideal de uma sociedade que nunca propôs este interesse individual como um interesse colectivo. Para nós, o nosso melhor amigo viver uma relação amorosa com a nossa mãe, é completamente disfuncional, ou até mesmo nós com a mãe do nosso melhor amigo. É-nos mostrado que o que uma sociedade estipula de certo ou errado, as suas ideologias, traçadas por alguém, traçam toda uma perspectiva do que achamos correcto ou impraticável. Talvez porque nunca foi do interesse da sociedade dar-nos esta perspectiva, ou porque as classes superiores pensam que de certa forma é errado, o que é de interesse colectivo é achar que tal relação é errada e até no filme conseguimos ver isso nas personagens que vêem de fora esta situação, tal como o público .