segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Reprodutibilidade Técnica e o cinema

O século XX testemunhou o desenvolvimento da cultura de massas. O indivíduo deixou de se distinguir no meio da multidão, os comportamentos da sociedade uniformizaram-se e aqueles que detinham o poder utilizam-no para estabelecer modelos de comportamento e padrões de rotina. O cinema contribuiu para esta mudança, apresentando-se como um dos agentes que esteve por detrás da modificação da dinâmica na sociedade. É através do cinema que determinados pormenores, que nos passam despercebidos enquanto espetadores, são realçados, o que nos possibilita aumentar a nossa compreensão relativamente a aspetos da nossa existência e do mundo que nos rodeia, dado que estes ficam como que “gravados”, o que nos assegura um enorme campo de ação. Neste sentido, a arte dissolve-se na vida, assumindo um valor político, e adquirindo um sentido mais profundo na vida do homem. 
Os meios de comunicação adquiriram grande poder no desenvolvimento e  na mudança da sociedade, uma vez que desempenham, cada vez mais, um papel decisivo na mudança de consciência na sociedade de massas. No caso do cinema, não existe tempo de reflexão e reação perante aquilo que o espetador recebe, porque o comportamento da imagem não é estático, isto é, antes que uma imagem possa ser assimilada, outra é recebida. Deste modo, são lançados, inconscientemente, novos saberes, dado que o espetador não possui o tempo necessário para uma meditação ou reflexão sobre aquilo que recebe. 
Dado que a novidade surge, atualmente, com uma enorme frequência, motivada pelo avanço tecnológico, o homem já está adaptado a estas inovações que fazem parte do seu dia-a-dia. Assim, sendo que a novidade surge de um modo mais radical, o homem adaptou a sua capacidade de captação, de modo amplificá-la e tornando-a mais recetiva a estímulos exteriores.