O século XX testemunhou o
desenvolvimento da cultura de massas. O indivíduo deixou de se distinguir no
meio da multidão, os comportamentos da sociedade uniformizaram-se e aqueles que
detinham o poder utilizam-no para estabelecer modelos de comportamento e padrões
de rotina. O cinema contribuiu para esta mudança, apresentando-se como um dos
agentes que esteve por detrás da modificação da dinâmica na sociedade. É
através do cinema que determinados pormenores, que nos passam despercebidos
enquanto espetadores, são realçados, o que nos possibilita aumentar a nossa
compreensão relativamente a aspetos da nossa existência e do mundo que nos
rodeia, dado que estes ficam como que “gravados”, o que nos assegura um enorme
campo de ação. Neste sentido, a arte dissolve-se na vida, assumindo um valor
político, e adquirindo um sentido mais profundo na vida do homem.
Os meios
de comunicação adquiriram grande poder no desenvolvimento e na mudança da sociedade, uma vez que desempenham, cada vez mais, um papel decisivo na mudança de consciência na sociedade
de massas. No caso do cinema, não existe tempo de reflexão e reação
perante aquilo que o espetador recebe, porque o comportamento da imagem não é
estático, isto é, antes que uma imagem possa ser assimilada, outra é
recebida. Deste modo, são lançados,
inconscientemente, novos saberes, dado que o espetador não possui o tempo
necessário para uma meditação ou reflexão sobre aquilo que recebe.
Dado que a novidade surge, atualmente, com uma enorme frequência, motivada pelo avanço tecnológico, o homem já está adaptado a estas inovações que fazem parte do seu dia-a-dia. Assim, sendo
que a novidade surge de um modo mais radical, o homem adaptou a sua capacidade
de captação, de modo amplificá-la e tornando-a mais recetiva a estímulos
exteriores.