A fotografia serve para gravar um momento morto, uma memória, uma recordação aos vivos de que a vida é curta. Já nos aconteceu a todos olhar para uma fotografia, não conhecer o que está formalizado, mas em termos de percepção reconhecer quais são os objectos nela representados, ou, no caso abaixo ilustrado, de que o motivo capturado são pessoas. Ou seja, de acordo com o exemplo abaixo, apesar da pessoa fotografada, nos ser anónima, desconhecida e de nunca nos termos cruzado com ela ou convivido no mesmo espaço, apercebemo-nos e somos capazes de a reconhecer como tal, como um ser humano, devido às características anatómicas e morfológicas que nos são comuns. A partir de um olhar minimamente atento, o sujeito é capaz de identificar na imagem dois perfis do mesmo indivíduo, minimamente marcados, e uma outra mancha, mais ténue, que os enquadra e representa uma vista frontal do mesmo motivo. Enquanto Saussure esclarece o signo enquanto unidade atómica e o subdivide numa dimensão material e noutra conceptual, Roland Barthes também o procura fazer com a fotografia de um modo totalmente distinto do primeiro. Passo a explicar. Barthes associa o significado ao que foi colocado para ser fotografado e o significante aos objectos depois de fotografados, às manchas cromáticas que criam a imagem. Deste modo, esta percepção que somos capazes de fazer, de identificar no objecto a forma de um ser humano que nunca víramos, é devido ao referente que está no próprio objecto fotográfico. Como tal a fotografia é uma imagem literal denotada e icónica não codificada, pelo que não lhe está implícita uma noção de cultura. Ou seja, segundo Barthes há uma mensagem sem código, há uma possibilidade de comunicação, pela imagem fotográfica, que não implica qualquer tipo de código.
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| Pinhole realizada no âmbito da disciplina de Fotografia |
