A segmentação produz um factor ideológico interessante. À medida que progredimos para um capitalismo cada vez mais avançado, há uma ideologia de vender mais, um objectivo. A segmentação dos produtos permite vender mais, acentuando mais as diferenças de género, criando uma pressão social segmentada por géneros, um estereotipo do objecto masculino versus o feminino.
Assim, o aumento da segmentação por género cria um ambiente sexista, uma descriminação segundo o sexo. Sem nos apercebermos, o que vestimos, o que dizemos os objectos que usamos, a forma como agimos insere-nos numa certa segmentação de consumo. Os esquemas de produção já prevêem o consumo, estudando o consumidor e inserindo-o num perfil. Até os objectos mais aleatórios como os ténis de corrida têm uma segmentação por género, sem haver qualquer sentido, porque as suas características são semelhantes.
O consumidor quase que já está destinado a comprar certo produto, quase como a marca nos escolhesse, enquanto se acha livre de escolher. Cada um de nós encaixasse num perfil de consumidor já estudado.
Nesse sentido, não sou eu que escolho um certo pacote de bolachas, mas este pacote de bolachas que me escolhe a mim, à segmentação em que me insiro. Esta ilusão de escolha está presente em tantos momentos da nossa vida, da vida dos consumidores, sem sequer nos apercebermos.