sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Arte Sobre o Nunca Visto



Com o aparecimento de novos meios de reprodução, como o cinema e a fotografia, a mão do artista é substituída pelo olho e pela máquina. Com a expansão dos novos média, a obra de arte sofreu uma também expansão e de certa maneira o seu valor altera-se consoante a pessoa, ou o meio. A arte já não possui um valor estável e muitas vezes as pessoas não conseguem distinguir ou verificar o que é uma obra de arte. Como Walter Benjamim explica, em consequência desta expansão, acontece uma deterioração da “aura”, ligada ao aqui e agora da obra de arte, perdendo-se assim a autenticidade ou singularidade e o seu valor culto que também muda drasticamente.

Um caso interessante é a galeria Hayward, em Londres, que no passado ano de 2012, apresentou uma exposição de arte invisível. No interior da galeria encontrava-se apenas paredes com quadros em branco, pedestais sem estátuas ou salas vazias, acompanhadas com legendas explicativas. A exposição, chamada de Invisível: Arte Sobre o Nunca Visto’, continha obras de artistas como Andy Warhol, Robert Barry ou Chris Burden e pretendia fazer um histórico da arte invisível desde 1957 até ao presente. Em certos casos, havia também obras mais explicativas, como as instruções escritas que Yoko Ono deixava para as pessoas. Num caso, convida-se o visitante a abrir uma tela entre a uma hora da manhã e o nascer do sol e, quando esta ficar rosa [do amanhecer], dobrá-la ou enterrá-la.


Neste cenário a reacção das massas é alterada em relação à arte e abrem-se também as portas para o valor de exposição, onde o fundamental é distribuir cópias e facturar com a distribuição da arte. A obra passa a ser acessível a todos, passa a ser para todos.
A questão agora impõe-se será isto uma exposição, recheada de obras de arte? Ou será apenas uma maneira de fazer dinheiro?